Com os plantéis de férias, chegou a hora da corrida aos reforços e das dispensas que irão “rodar” noutros plantéis. Se o Porto perdeu Mbemba, o Sporting ficou sem Sarabia e o Benfica quer vender Darwin e Seferovic…
COSTA SANTOS SR*
Recolhidos, uns, os troféus e, outros, a desilusão por não conquistarem nenhum “caneco”, chegou a hora de olhar em frente, que o mesmo será dizer pensar, já, na época que terá início em Agosto.
E se na “confusão” do mercado, dos anúncios de contratações – algumas serão só anúncios – o Sporting está na dianteira, o “arrumar da casa” impõe, primeiro, algumas vendas que permitam, às tesourarias, enfrentar esses “gastos”.
O Sporting, repete-se, está na frente. Uma política de gestão “nova”, permitiu, ainda com a passada Liga a decorrer, segurar algumas contratações, pensando nas receitas que aí vêm – Liga do Campeões, encaixe dos 40 milhões de Nuno Mendes e, ainda, alguns euros que poderão entrar com mais uma venda – Palhinha e Matheus Nunes poderão estar na calha, muito embora Ruben Amorim os tenha como “imprescindíveis” no projecto já definido – que, não sendo desejada, não deixará de ser “possível”.
Até agora, os “leões” já desembolsaram cerca de 31,8 milhões com os passes de Ruben Vinagre (10M por 50% do passe) do Wolverhampton, St Juste (9,5M que, atingidos alguns objectivos, poderão fazer gastar mais 2,5M) do Mainz, Pedro Porro (8,5M) do Manchester City e Morita (3,8M) do Santa Clara. Objectivamente, os 40M que entrarão nos cofres, provenientes do PSG, pela venda de Nuno Mendes, chegam e sobram para “tapar” os “gastos” já feitos. Claro que Ruben Amorim quer um avançado (fixo ou móvel) com todos os olhos colocados em Trincão (Barcelona), “beneficiando” da vontade já expressa, do jogador, em voltar a trabalhar com Ruben Amorim (que conheceu no Braga), situação que poderá facilitar (a Liga dos Campeões é outra vantagem) o negócio com os catalães, diminuindo a folha salarial destes, ainda que não consigam encaixar qualquer verba que atenue a despendida (30M) aquando do negócio com o Braga. Já Slimani, em conflito com o técnico que deixou de contar com ele ainda antes do final da época, surge na lista de opções que Jorge Jesus quer ter na Turquia.
BENFICA COM MUITAS SAÍDAS
A última “bomba” terá sido o anúncio de Weigl , manifestando a sua vontade em abandonar a Luz e, disso, já ter alertado o seu empresário. Não deixou de causar alguma surpresa, até por Roger Schmidt, alemão como Weigl, este “desejo”, muito embora, analisada mais profundamente a situação, se possa admitir que conhecendo Weigl o estilo de trabalho e “estratégias” de Schmidt, “pressinta” que a sua acção deixaria de ter protagonismo.
Porém, a vida no Benfica está mais complicada, desde logo pelos desejos em colocar Gabriel, Pizzi, Seferovic, Otamendi, André Almeida, Darwin e…outros.
Se, no que toca a Seferovic, Jorge Jesus já deu indicações ao seu novo clube (o Fenerbahçe) para a sua contratação e, por outro lado, o Benfica já colocou a fasquia nos 10M, quanto aos outros, fala-se em propostas, mas, de forma concreta, nenhuma chegou à mesa do Benfica. Óbvio que Darwin tem mercado, mas os 100M falados pela estrutura encarnada afiguram-se difíceis de atingir.
Sem pretendentes (para já) estão Pizzi – emprestado ao Basaksehir, da Turquia – e Gabriel – cedido ao Al Garafa, do Qatar -, bem como André Almeida e Grimaldo, este, claramente, para evitar uma saída “a custo zero” no final da próxima época – pode comprometer-se com qualquer clube a partir de 31 de Janeiro próximo – depois de, no último jogo do Benfica, em Paços de Ferreira, ter invocado “motivos pessoais” para não ser convocado.
Com entrada já assegurada está Musa (ex-Boavista), por quem o Benfica pagou 5M e cedeu alguns jogadores aos axadrezados e, em negociações, a vida de Enzo Fernandez, do River Plate, muito embora os dirigentes do clube argentino sejam pragmáticos ao declararem “quem bater os 20M, verba da cláusula de rescisão, levará o jogador”. Porém, embora este haja concordado com o projecto, impôs uma exigência: ficar no River Plate até final da Taça dos Libertadores (em Dezembro), situação que, para já, não é aceite pelo Benfica, claramente pela importância dos seus compromissos, desde logo com a pré-eliminatória para a Liga dos Campeões onde, por ironia do destino, poderá encontrar o Fenerbhaçe, orientado por Jorge Jesus.
Como facilmente se entende, a “vida” do Benfica é muito mais complicada, dependendo todos os negócios em perspectiva da venda de Darwin Nuñez, aquele que fará entrar as verbas necessárias para os “gastos”.
PORTO QUER “RETOCAR” O PLANTEL
A saída de Mbemba é, para já, a única baixa no plantel, mas, tal como disse Pinto da Costa no final da Taça de Portugal, “é preciso retocar o plantel”. É, de facto.
Por mais garra que tenha e motivação, os 39 anos de Pepe, por exemplo, não deixam margem de garantia quanto à sua utilização, principalmente nos padrões exigidos por Sérgio Conceição. Uma preocupação que começará, agora, terminada a época, a ser “debatida” pelos departamentos técnico e financeiro, dos dragões.
Retocar o plantel quererá dizer, sem dúvida, preencher vagas abertas nos sectores “mais envelhecidos”, sendo especial cuidado o defensivo onde Pepe e Marcano há muito ultrapassaram a “barreira” dos 30 anos.
ROGER SCHMIDT EM LISBOA
Ontem, foi o primeiro diz de Roger Schmidt na Luz e no Seixal. Foi conhecer os “cantos à casa”, ter reuniões de trabalho com os dirigentes “encarnados” e, claro, traçar as linhas mestras do arranque da próxima temporada e, óbvio, dos reforços que pretende para o “novo” Benfica.
Num arranque que se prevê muito antecipado – face à pré-eliminatória para a fase de grupos da Liga dos Campeões – há que definir o plantel, quem fica e quem virá, local de estágio, enfim, todos os passos que há que dar até ao momento dos jogos a “doer” surgirem.
*Jornalista especializado em Desporto



