Fazendo as contas pela positiva – e não pela negativa como há tempos se faziam – Fernando Santos e a sua “família” poderão festejar, no final do encontro com a Ucrânia, a conquista do passaporte para o Euro 2020, se a selecção portuguesa vencer os dois jogos e a Sérvia não ganhar à Lituânia
Costa Santos Sr*
Na Cidade do Futebol já estão concentrados os 25 escolhidos por Fernando Santos, seleccionador de Portugal, para a jornada dupla para a qualificação para o Europeu, frente ao Luxemburgo, no Estádio de Alvalade, no próximo dia 11 (02:45 de sábado em Macau) e na Ucrânia, no dia 14 (02:45 de terça-feira em Macau).
Relativamente à convocatória, o leque à disposição da equipa técnica, por ser vasto em quantidade e qualidade, transmite sempre uma “garantia” de qualidade. Realmente, o futebol português vive uma época dourada e as preocupações, não muito antigas, quanto ao “prazo de validade” de alguns elementos preponderantes na estratégia do seleccionador já quase se desvaneceram, muito embora saibamos que a substituição de certos jogadores, pelos índices de motivação, rendimento e capacidade técnica, não será fácil nem se fará com um estalar dos dedos. Mas, se repararmos no “alfobre” que já existe nas selecções mais jovens, entenderemos as razões dessa tranquilidade quanto ao futuro.
Do lote dos convocados, há um que se destaca por muitas e variadas razões: Rúben Semedo. O defesa central, formado em Alcochete, é bem o exemplo de alguém que caiu e rapidamente se levantou. Da prisão de Picassent, em Valência (Espanha), até à Cidade do Futebol, passaram apenas 15 meses! Mas 15 meses sempre em crescendo, pessoal e profissionalmente. Sem repisarmos a história – antes, usamo-la para realçar a força interior em vencer – Rúben Semedo saiu do Sporting para o Villarreal, onde viveu os primeiros tempos de uma etapa negra em que ele próprio, segundo hoje reconhece quando desabafa, “achava que podia fazer tudo o que queria, que não haveria nenhum problema”. Por isso as saídas nocturnas, as companhias ocasionais que viviam à sua sombra e à custa do seu dinheiro e, no passo seguinte, a detenção, a rescisão de contrato com o Villarreal e quase o fim! Que não aconteceu, felizmente, primeiro porque a solidão da cela fê-lo interiorizar os erros cometidos, depois, porque os “amigos” já tinham cadastro e houve que desmistificar a denúncia; depois, ainda, o Huesca – outra colectividade do futebol espanhol, que o “aceitou”, a que se seguiu o Rio Ave, em Portugal, onde com outros ares, outro ambiente e verdadeiros amigos, Rúben deu o salto para o Olympiacos de Pedro Martins e dali para… a selecção nacional!
Fernando Santos chamou-o agora, numa convocatória que se poderá “ler” de formas várias: confiança no valor técnico do jogador; confiança no seu carácter; confiança que essa etapa “já era” e, sobretudo, uma chamada que eleva os índices de auto-estima do atleta e o coloca no lugar em que sempre sonhou estar. Aliás, o seleccionador nacional não é homem de fugir às questões e quando lhe colocaram o “tema” Rúben Semedo, o “engenheiro” das noites de glória do futebol português disse tudo em meia dúzia de palavras:” Não é por um percalço que não se pode viver”!
Nos restantes escolhidos há a “rotatividade” relativamente a João Cancelo, Ferro, Carriço, Renato Sanches, Podence e Diogo Jota, regressando às opções de Fernando Santos João Mário, Bruma, Ricardo Pereira, André Silva e Pepe, muito embora este estivesse na convocatória anterior mas dela saiu por lesão.
Ao entusiasmo da qualificação e, sobretudo, do jogo com o Luxemburgo, Fernando Santos vai pondo “água na fervura” e avisa: “O jogo mais complicado é o Luxemburgo. Tem o mesmo treinador há nove anos, com qualidade. Muita atenção a este jogo e lembrem-se que perderam, em casa, com a Ucrânia, aos 94’ e com um autogolo. Goleadas? Jogamos para ganhar e se der para ser por mais golos, será. Mas uma coisa é certa: teremos de estar no nosso melhor para ganhar. Se não, vamos ver-nos aflitos”!
*Jornalista profissional especializado em desporto



