Richard Carapaz coroou a conquista da classificação da montanha com um triunfo no Alpe d’Huez, onde Isaac del Toro chegou ‘rebocado’ pelo camisola amarela Tadej Pogacar, já virtual vencedor da 113ª Volta a França em bicicleta. O esloveno da UAE Emirates transformou-se num gregário do jovem colega mexicano, que bem pode agradecer ao futuro pentacampeão a sua presença no pódio final em Paris, mas também aos homens da Decathlon, que impuseram um ritmo tão elevado que acabaram por fazer ‘explodir’ Paul Seixas, a esperança francesa que terá de contentar-se com o quarto lugar.

Carapaz viveu uma jornada perfeita na 20ª e penúltima etapa do Tour, na qual não só garantiu a segunda vitória na classificação da montanha, como bisou’ – já tinha triunfado há dois dias -, beneficiando do azar de Sepp Kuss (Visma-Lease a Bike), que seguia isolado e caiu duas vezes nos quilómetros finais, acabando por ser terceiro a 31 segundos, atrás também de Remco Evenepoel (Red Bull-BORA-hansgrohe).

“Para mim, foi bonito ganhar aqui com uma camisola distintiva. Acabou por ser uma Volta a França de sonho”, descreveu o equatoriano de 33 anos, que somou a terceira vitória da carreira ao cortar a meta isolado, após 04:59.39 horas.

Em dia de confirmações, nada mudou no top 10 ou nas classificações secundárias, com Pogacar a cortar a meta abraçado a Del Toro, indiferente ao facto de Remco Evenepoel (Red Bull-BORA-hansgrohe) ter sido segundo na etapa, a 26 segundos de Carapaz, e ‘diminuído’ para 06.26 minutos a diferença na geral.

Nelson Oliveira (Movistar) foi o primeiro a atacar na etapa ‘rainha’, mal foi dada a partida real para os 170,9 quilómetros desde Le Bourg d’Oisans, com o recordista português de presenças em grandes Voltas a não ir longe – acabaria na 54ª posição, a 35.10 minutos do vencedor.

Nos 24 quilómetros de ascensão à ‘conceituada’ Croix de Fer, de categoria especial, Juan Ayuso (Lidl-Trek), uma das decepções deste Tour, resolveu atacar, levando consigo o camisola da montanha e o seu rival nessa luta, o francês Valentin Paret-Peintre (Soudal Quick-Step). No grupo estavam também quatro Vismas, nomeadamente Kuss, Jai Hindley (Red Bull-BORA-hansgrohe), Matthew Riccitello (Decathlon), Thymen Arensman (Netcompany INEOS), Ben Healy (EF Education-EasyPost) ou Tobias Halland Johannessen (Uno-X).

O líder da montanha isolou-se para coroar em solitário a Croix de Fer, após a qual o resistente Mads Pedersen (Lidl-Trek) partiu no encalço dos fugitivos de modo a tentar garantir já a camisola verde – uma missão cumprida pelo dinamarquês, que só tem de cortar a meta em Paris.

Seguiu-se o Télégraphe no ‘menu’ de montanhas míticas da jornada de sábado, mas foi o emblemático Galibier a deixar na frente apenas Carapaz, Kuss, Hindley e Riccitello, com Ayuso a descolar momentaneamente.

No ‘tecto’ deste Tour, a 2.642 metros de altitude, o equatoriano foi o primeiro e garantiu que será novamente ‘rei’ da montanha do Tour dois anos depois, numa altura em que a distância dos fugitivos para o grupo do camisola amarela rondava os cinco minutos. Sem companheiros da UAE Emirates para ajudar, Pogacar decidiu impor o ritmo no Galibier, a mais de 60 quilómetros da meta, deixando uma imagem inédita em grandes Voltas.

No início da ascensão ao Col de la Sarenne, a terceira categoria especial da etapa, restavam na frente os três vencedores de grandes Voltas e Ayuso, o primeiro a ceder. Hindley acelerou e apenas Kuss conseguiu seguir o ritmo do campeão do Giro2022, antes de atacar para se isolar a mais de 23 quilómetros da meta.

O australiano da Red Bull recebeu a companhia de Carapaz e os dois colaboraram na perseguição ao campeão da Vuelta2023, alcançando-o pouco depois, enquanto lá atrás os homens da Decathlon, que conseguiram reentrar, impunham um ritmo sufocante para tentar eliminar Del Toro. No entanto, foi mesmo o seu líder Seixas a quebrar, com o prodígio francês de 19 anos a despedir-se definitivamente do pódio quando Evenepoel assumiu a frente do grupo, que a 16 quilómetros do Alpe d’Huez estava já a menos de dois minutos de Kuss, que seguia na frente.

O norte-americano da Visma-Lease a Bike caiu duas vezes no espaço de poucos metros, a última das quais a 5,8 quilómetros da meta, sendo ultrapassado por Carapaz, o campeão do Giro2019 que rumou ao triunfo na etapa.

Numa abordagem diferente ao Alpe d’Huez, que ‘prescindiu’ das famosas 21 curvas e do excesso de público, Evenepoel atacou e Pogacar voltou a ‘parar’ para ‘rebocar’ o mexicano, que manteve a camisola da juventude e os 09.42 minutos de diferença para o seu líder esloveno, já que ambos cortaram a meta a 01.05 do vencedor.

Já Seixas perdeu quase dois minutos para o duo da Emirates, mas segurou o quarto lugar, à frente do compatriota Lenny Martinez, a maior surpresa na classificação geral deste Tour.

 

JTM com Lusa