PGR abriu um inquérito à morte de um adepto italiano do Sporting, vítima de atropelamento perto do Estádio da Luz
PGR abriu um inquérito à morte de um adepto italiano do Sporting, vítima de atropelamento perto do Estádio da Luz

A estratégia resulta: desviar as atenções do essencial e discutir o inútil “acessório”. É o actual momento do futebol português, com os dirigentes que tem…

 

Costa Santos Sr*

 

O “duelo” Benfica-FC Porto, que poderia entusiasmar todos os desportistas, descambou desde há muito – ainda com o Sporting pelo meio – numa “guerra” de acusações, ódios e recados enviados e dados por comentadores, que de comentadores nada têm!

A crónica do futebol, que se deveria prender exclusivamente com o “pontapé” na bola, os bons ou menos bons lances de jogo, com golos mal ou bem validados, ultrapassou tudo isso. Deixou de lado esse cenário e centrou-se, tristemente, na fraseologia pobre, doentia, do mexerico, da lavagem de roupa suja, da insinuação torpe.

Os estádios estão cheios, mas não de espectadores apostados apenas na vitória do seu clube favorito, antes – ou talvez mais – na derrota do adversário directo. E para compor o “ramo” deste ambiente indesejável, de cortar à faca, não faltam os cânticos que recordam quedas de aviões ou mortes nos estádios vitimados pelos artefactos pirotécnicos.

Mais recentemente, madrugada dentro, um italiano, adepto do Sporting, foi atropelado mortalmente nas imediações do Estádio da Luz. O “heróico” condutor atropelou e fugiu. As últimas notícias revelam já ter sido identificado o carro, bem como o respectivo autor do acidente, e a Procuradoria-Geral da República abriu um inquérito ao caso.

No “derby” de Lisboa, um presidente recusou o convite do outro para tomar lugar na tribuna presidencial e, em resposta, não hesitou em afirmar “ter visto Vale e Azevedo através do e-mail recebido”.

Na fogueira, mais umas achas. Outras viriam, como resposta, recordando a porta 18 e o pó branco, a condenação por furto de um camião e a “amnistia” papal que permitiu a liberdade ao condenado!

Respirar este “ar” e olhar este nível de dirigismo, sentir a passividade de quem deveria ter a obrigação de colocar os “meninos traquinas” nos eixos, é algo que choca ainda mais.

O campeonato está a quatro jornadas do fim e haverá um campeão e muitos vencidos. Porém, o mais vencido é o próprio futebol. E se nos recordarmos que tudo isto acontece no país cuja selecção é campeã europeia em título e com as selecções de sub-20, sub-19, 18, 17 em maré alta nas competições internacionais, é urgente uma reflexão imediata sobre comportamentos que, muito para além de não dignificarem os clubes, prejudicam a imagem de uma selecção, de um país!

E quanto mais alto for o cargo, maior é a responsabilidade. Admitir que um Conselho de Disciplina castigue em 24 horas um atleta, por “imagens televisivas” e faça vista grossa a outro, de outro clube poderoso, pela mesma falta e meios de prova, é colaborar nas diatribes que logo surgem.

No beco sem saída aparente – pela indiferença das autoridades competentes – façamos votos que nada de mais grave aconteça até à derradeira jornada.

 

Empate com Chaves não agrada aos cónegos

Instalado numa zona crítica da classificação, o Moreirense complicou a sua situação no encerramento da 30ª jornada da I Liga portuguesa, ao empatar a zero na recepção ao Chaves. Os flavienses eram os primeiros adversários de uma série que será completada por Sporting de Braga e FC Porto, pelo que o Moreirense terá tarefa muito difícil para arrecadar pontos frente a equipas que estão num patamar superior e ainda espreitam outros lugares. Talvez por isso, o empate tenha sido encarado como o “canto do cisne” no que à permanência diz respeito. É que nas outras duas partidas que faltam, os cónegos vão a Belém e a Arouca. Por isso, e salvo algum “ciclone” futebolístico, Nacional e Moreirense devem ter os dias contados e viagem garantida para a II Liga.

 

* Jornalista profissional especializado em desporto