Pela primeira vez na história do Mundial de Futebol, a FIFA tem um centro tecnológico para monitorizar a cibersegurança, as transmissões em directo e as operações dos 16 estádios do campeonato, 24 horas por dia. Esta implementação é descrita como “sem margem para erros”, segundo os seus gestores.

“Representa o maior desafio tecnológico da história do desporto devido à escala envolvida na operação simultânea em três países”, disse à agência EFE Nacho Fresco, director de tecnologia da FIFA, que lidera toda a operação.

Este “centro operacional”, conhecido como Centro de Comando de Tecnologia (TOC, na sigla inglesa), está localizado na sede da FIFA em Coral Gables, no condado de Miami-Dade, na Florida.

“A instalação processa entre 300 e 400 milhões de tentativas de ciberataques todos os dias. Para lidar com estas ameaças, estamos a trabalhar em estreita colaboração com o FBI”, observou.

O executivo realçou que o centro está localizado dentro da sede da FIFA, e não numa instalação exterior, para manter a agilidade na cadeia de comando. “O nosso objectivo é estar o mais próximo possível da estrutura de gestão da FIFA. Desta forma, a equipa técnica pode tomar decisões extremamente rápidas em qualquer situação de crise que possa surgir durante o torneio”, explicou.

Para manter esta segurança operacional, cerca de 350 analistas de dados, programadores especializados e engenheiros de sistemas monitorizam continuamente a infra-estrutura de rede e a cibersegurança de todos os locais.

Tudo isto é coordenado com o centro internacional de transmissão em Dallas, no Texas, a partir do qual os sinais de televisão são distribuídos e enviados para todo o mundo, para “cerca de 6.000 milhões de fãs que assistem ao Mundial”.

“Numa perspectiva global, é uma escala gigantesca quando comparada com eventos como o ‘Super Bowl’, o mais popular na América do Norte, que tem uma média de cerca de 105 milhões de espectadores. Este é um teste para demonstrar o alcance da nossa tecnologia”, disse Katie Reed, directora de operações internas da Lenovo para a América do Norte, à EFE.

A Lenovo está a fazer a sua estreia na história do torneio como parceira tecnológica oficial da FIFA. Para além da segurança, uma das funções mais visíveis coordenadas a partir deste centro é a “câmara do árbitro” (RefCam), que oferece uma perspectiva única do jogo através de um dispositivo acoplado ao árbitro. Embora não tenha desenvolvido o dispositivo, a Lenovo forneceu a estabilização digital que reduz a vibração da imagem original até 60%, eliminando o “efeito de tontura” para o espectador e permitindo, pela primeira vez, a sua integração na transmissão em directo.

O centro também centraliza todas as estatísticas da partida em tempo real, utilizando inteligência artificial (IA). A plataforma processa “métricas preditivas e resultados instantâneos que permitem à equipa técnica preparar meticulosamente as suas tácticas para os próximos jogos”, segundo Reed.

Os dados são acessíveis aos jogadores, que têm uma aplicação móvel personalizada nos telemóveis, onde podem consultar imediatamente os seus melhores tempos, mapas de calor, velocidade máxima e métricas de desempenho físico para “avaliar em que áreas podem melhorar após cada partida”. Por razões de confidencialidade e protecção de dados, a equipa de tecnologia não está a revelar as identidades dos jogadores ou selecções nacionais que mais utilizaram esta ferramenta durante o Mundial.

Da mesma forma, o TOC gere os avatares digitais 3D para a revisão precisa de impedimentos na transmissão televisiva e na plataforma FIFA AI Pro. Este sistema de IA recolhe dados analíticos avançados após os jogos e disponibiliza-os a todas as selecções nacionais “três horas após o apito final, democratizando o acesso a estatísticas avançadas, independentemente do orçamento de cada federação”.

 

JTM com agências internacionais