O Boavista vai encerrar a actividade, após falhar o depósito na conta da massa insolvente dos credores do clube da verba para suportar as despesas correntes dos ‘axadrezados’ em Junho, anunciou a administradora de insolvência. “Estando a ser integralmente incumpridos os pressupostos determinados na assembleia de credores para a manutenção em funcionamento da actividade da insolvente, no dia 15 de Julho, pelas 15:30, a administradora de insolvência executará a deliberação, procedendo ao encerramento do estabelecimento da insolvente e encerrando todas as actividades desenvolvidas pelo Boavista no Estádio do Bessa e espaços adjacentes, no qual se incluem todas as modalidades”, anunciou Maria Clarisse Barros, numa mensagem de correio electrónico à qual a agência Lusa teve acesso. Em caso de incumprimento do Boavista, a administradora de insolvência podia ordenar o encerramento imediato da actividade do clube portuense, com efeitos 15 dias depois da decisão, sem necessitar de nova convocação da assembleia de credores, desfecho que já esteve perto de suceder algumas vezes desde Dezembro de 2025, mas foi sempre evitado. “Até ao momento, não se verificou o depósito na conta da massa insolvente, por qualquer interveniente, do donativo (com carácter liberatório) que permitisse assegurar as despesas correntes da estrutura do clube em Junho, assim como o ‘défice’ estimado das modalidades desse mês”, notou. Maria Clarisse Barros descartou “qualquer perspectiva de que o donativo em causa, assim como o que seria necessário para o corrente mês”, seja depositado na conta da massa insolvente, que tem visto as “dívidas mensais” a avolumar-se devido ao “funcionamento do estabelecimento”. “Resta-nos agradecer a todos os directores, adjuntos e treinadores pela sua grandiosa dedicação, quase sem limites, e pelos excelentes atletas que formaram e tanto engrandeceram o já prestigiado nome do Boavista. Por fim, e como não poderia deixar de ser, um grande aplauso para os atletas que dignificaram esta instituição centenária por esse mundo fora”, salientou a administradora de insolvência, informando que as chaves das instalações, livres de pessoas e bens, têm de ser entregues até 31 de Julho. Os ‘axadrezados’ tiveram a sua liquidação aprovada em Setembro de 2025, após acumular dívidas superiores a 150 milhões de euros (ME), mas, três meses depois, chegaram a acordo com os credores em tribunal para manter a actividade, comprometendo-se a cobrir o défice corrente da sua exploração. Essa decisão foi tomada quando o clube já tinha abdicado de competir no quarto e último escalão da Associação de Futebol (AF) do Porto, sem qualquer jogo realizado em 2025/26, época na qual a SAD ‘axadrezada’ deveria disputar a II Liga, mas deixou de ter equipa profissional e foi relegada por via administrativa para a principal divisão distrital, devido a problemas financeiros. Despromovida ao segundo escalão da AF Porto a seis jornadas do fim e com quatro impedimentos de inscrição de novos futebolistas junto da FIFA, a sociedade alinhou como anfitriã no Parque Desportivo de Ramalde, a 2,5 quilómetros do Estádio do Bessa, que está inutilizado há mais de um ano, e viu a liquidação aprovada em Maio, estando a trabalhar num novo plano de recuperação. No âmbito da insolvência do Boavista, vários imóveis foram leiloados nos últimos meses, incluindo o Estádio do Bessa e o complexo desportivo adjacente, cujas ofertas superaram a verba mínima de licitação em Junho.
Histórico Bordéus despromovido à sexta divisão e pode abrir falência
O histórico Bordéus, seis vezes campeão francês de futebol, foi despromovido às divisões regionais, face ao incumprimento das medidas financeiras a que estava sujeito e que originaram a queda desportiva do clube desde 2021. Em comunicado, o órgão que monitoriza as finanças dos clubes gauleses (DNCG) confirmou a despromoção dos ‘girondinos’, que na época passada já estavam a disputar o National 2, o terceiro escalão, para o qual tinham sido relegados em 2024. Perante esta decisão, o Bordéus cai agora para a sexta divisão, o que poderá dar origem a um processo de falência do clube, cuja decadência financeira se agravou a partir de 2021, quando o empresário Gerard López, que também deteve a maioria do capital social da SAD do Boavista, adquiriu os ‘girondinos’. Em 2021/22, o Bordéus foi último classificado da Ligue 1 e acabou despromovido ao segundo escalão, e em 2024 caiu para o terceiro face às dificuldades em conseguir 40 milhões de euros (ME) para sanear as contas e ter orçamento que lhe permitisse disputar a Ligue 2 em 2024/25. No ano passado, deveria ter apresentado e executado um plano de reestruturação, de forma a reduzir a dívida de 100 ME para 26 ME, mas não só não o fez como ainda não pagou os 10 ME exigidos pelo órgão regulador para cumprir com o exercício da temporada passada. Gerard López tinha adiantado, no final de Junho, que o Sparta Capital iria investir esses 10 ME, contudo, segundo a imprensa francesa, o fundo britânico retirou-se das negociações no início desta semana, precipitando o desfecho agora anunciado. Campeão francês em 1950, 1984, 1985, 1987, 1999 e 2009, além de ter disputado a final da Taça UEFA de 1997, em que perdeu com o Bayern Munique, o Bordéus contou nas suas fileiras com jogadores como Alain Giresse, Jean Tigana, Zinedine Zidane, Bixente Lizarazu, Christophe Dugarry, Richard Witschge, Lilian Laslandes ou Johan Micoud. Nos mais de 130 anos de história, também contratou jogadores portugueses, sobretudo Fernando Chalana, Pauleta, Beto, Marco Caneira e Bruno Basto, bem como os treinadores Toni (em 1994/95) e Paulo Sousa (entre 2019 e 2020).



