As lesões de Salvio e Jonas foram determinantes para a incapacidade do Benfica resistir à reacção do Ajax, que conseguiu chegar ao empate, complicando ainda mais as possibilidades de apuramento das “águias”

 

Costa Santos Sr*

 

Os quatro pontos que separam o Ajax do Benfica no Grupo E da Liga dos Campeões – e que acabam por ser cinco face à vantagem dos holandeses no confronto directo – deverão ser suficientes para garantir que terminou, mais uma vez de forma inglória, a caminhada do Benfica pela Liga dos Campeões.

Neste jogo do “tudo ou nada, o Benfica entrou como lhe competia: forte, a pressionar, rápido na circulação de bola, competente nas marcações e com muita intensidade e profundidade no seu futebol ofensivo. Jonas – quem haveria de ser? – marcou aos 29’, mas não foi a primeira vez que o “pistolas” gerou perigo para a área de Onana. De facto, aos 26’, e beneficiando de uma perda de bola de Van de Beek, disparou de longe mas distante do alvo e voltou a repetir a ameaça, aos 37, na sequência de um livre, a cabecear bem mas com Onana a segurar a bola.

Ora, esta toada de ataque – mesmo com o Benfica a ter algumas dificuldades na circulação e posse de bola – queria dizer que os encarnados estavam apostados em levar por diante o sonho de continuar na “Champions”. E, para isso, só ganhando.

No entanto, as “águias” viveram dez minutos muito negros e, quiçá, determinantes para o que se iria passar até ao apito final. Primeiro, aos 48’, já depois de um “aviso”, Salvio deu indicações para o banco como que a dizer “não dá mais”. Entrou Rafa. Aos 57, foi Jonas a sair em maca, cedendo o lugar a Seferovic.

A partir dessa altura, a fluidez do futebol encarnado, as suas movimentações e, sobretudo, a segurança – mesmo tendo menos bola – foi muito diferente. Os holandeses sentiram isso e não se fizeram rogados na aceleração do seu jogo, no passe longo para as costas da defesa encarnada e, num destes lances, aos 61’, surgiu o golo de Tadic que, depois de receber um passe largo de Ziyech, evitou Vlachodimos e rematou certeiro de ângulo quase fechado.

É claro que o Benfica só tinha que reagir. Mas uma coisa é reagir de forma organizada e outra é cada um tentar a sua sorte. Após obter o golo da igualdade, o Ajax controlou a partida. Sem desvalorizar uma ou outra situação de perigo para a área do Ajax, Onana (que fora mal batido no lance do golo encarnado) esteve sempre atento e seguro.

No outro jogo do grupo, o Bayern de Munique derrotou o AEK de Atenas por 2-0, com golos de Lewandowski, aos 31 e 71, e isolou-se na liderança, com 10 pontos, seguido do Ajax, com oito, e do Benfica, com quatro. Os gregos ainda não pontuaram.

Nas restantes partidas, é de salientar a vitória do Manchester United em Turim numa sensacional recuperação, dando a “cambalhota” em quatro minutos (aos 86 e 90’ por Juan Mata e Alex Sandro, na própria baliza), de nada valendo à Juventus o golaço de Cristiano Ronaldo aos 65. A Juve comanda o Grupo H, com nove pontos, mais dois do que o United. O Valência, terceiro com cinco pontos, venceu, no Mestalla, o Young Boys por 3-1, mantendo-se na luta pela qualificação.

No Grupo F, o Manchester City goleou o Shakhtar Donetsk por 6-0, e consolidou a liderança, tendo agora mais três pontos do que o Lyon, que em casa não fez melhor do que um empate a dois golos frente aos alemães do Hoffenheim.

Já no Grupo G, como se previa, o Real Madrid foi a Plzen golear por 5-0, enquanto a Roma, com alguma dificuldade, bateu o CSKA, em Moscovo, por 2-1.

 

*Jornalista profissional especialista em desporto