O tetra campeão de Macau derrotou o Sporting por 5-1 e vai no bom caminho para o “penta”. A diferença para o segundo classificado é agora de sete pontos, no fecho da primeira volta da Liga de Elite. O Chao Pak Kei empatou com o Ka I e voltou a atrasar-se

 

Vítor Rebelo*

 

Expectativas um pouco defraudadas no clássico entre Benfica e Sporting, com o líder do campeonato a manifestar superioridade sobre o rival e a confirmar, mais uma vez, que em Macau continua a não encontrar adversário à altura na discussão do título.

Os “leões” não puderam apresentar Eric Peres e Bright Ike e isso acabou por desequilibrar a equipa de Nuno Capela, embora desta feita tenha actuado Sangaranka Cissé.

Quanto ao Benfica, sem Vítor Almeida, lesionado, Bernardo Tavares contou com Filipe Duarte ao lado de Gil Nguema, mas o português acabaria por voltar a lesionar-se, saindo à passagem da meia-hora. Hugo Silva jogou a lateral esquerdo, mas esteve mais tempo a apoiar os homens da frente do que a defender.

Tito Okello regressou ao “onze”, ficando no banco de suplentes David Tetteh.

Nos primeiros quarenta e cinco minutos não se notou muito o natural cansaço dos “encarnados”, depois de mais uma viagem à Coreia do Norte, e bem cedo começaram a pôr à prova o extremo reduto “verde-branco”, com remates de Leonel Fernandes, a que Rui Oliveira se opôs. O guardião do Sporting está num bom momento de forma e terá sido talvez o melhor jogador em campo, impedindo que a sua equipa sofresse mais golos.

O Benfica inaugurou o marcador aos 10 minutos, por Pang Chi Hang, depois de um remate de Nicholas Torrão, com a bola a sobrar para o extremo direito.

Aos 18 Leonel perdeu a hipótese do segundo, não tendo aproveitado um deslize do central Fong Chan Fai e aos 30 foi a vez de Tito rematar ao poste. No minuto seguinte as “águias” dilataram o “placard”, num tento de Leonel Fernandes, de cabeça, a cruzamento de Chan Man, para aos 36 “acabarem” com o jogo, ao elevarem para 3-0, através de Tito, após belo trabalho na direita de Pang Chi Hang.

 

Sporting melhor com 10

O Sporting não teve ocasiões de golo, ficando na memória alguns lances de bola parada, como aos 40, quando Prince Aggreh obrigou Batista a ir ao relvado para defender com alguma dificuldade.

A segunda parte mostrou um Sporting a subir mais no terreno, agora com Lucas Calixto em campo, ao mesmo tempo que o Benfica tirava um pouco o pé do acelerador, notando-se então algum cansaço.

Os “leões” ficaram reduzidos a dez unidades, segundo amarelo e consequente expulsão de Fong Chan Fai (aos 48), num lance de grande penalidade que Edgar Teixeira desperdiçou, com Rui Oliveira mais uma vez em grande. Mesmo em inferioridade numérica os pupilos de Nuno Capela tomaram conta da partida em alguns períodos do jogo e reduziram, num livre directo de Prince Aggreh.

Só na parte final é que o “onze” de Bernardo Tavares acordou, apontando mais dois golos, ambos nos descontos, por Nicholas Torrão e Leonel Fernandes, após lance em que Vinício driblou o guarda-redes e fez o centro para o companheiro já em cima da linha de fundo.

Vitória justa do Benfica, que assim ganha maior fôlego para a segunda volta do campeonato.

 

Ka I impõe empate ao CPK

Nos restantes desafios do fim-de-semana, em foco o confronto entre o segundo classificado, Chao Pak Kei (CPK), e um dos quartos, Ka I, o que deixava antever uma boa partida, com muitos estrangeiros em campo, em especial os brasileiros. E desde logo um deles, Bruno Figueiredo, a começar no banco de suplentes do CPK, situação pouco vulgar desde que o médio foi contratado pelo clube de Stephen Chow.

Com grande surpresa e em virtude da ausência, por castigo, de Gilmar Tadeu e Ignacio Hui, o Chao Pak Kei contou com Erick Chow, o irmão de Stephen Chow, “patrão” do clube, como orientador do jogo, pelo menos foi ele que esteve mais tempo na área técnica destinada ao treinador, situação de facto estranha.

O Chao Pak Kei surgiu com o mais recente reforço no “onze”, William Maronesi, que se juntou aos compatriotas Diego Patriota e Danilo Lins e ainda ao paraguaio Ronald Cabrera, no quarteto de estrangeiros.

Do lado do Ka I, o “insubstituível William Gomes, ao lado dos também brasileiros Baiano, Fabio Ribeiro e Diogo Gama, estes dois últimos a entrarem na equipa já com o campeonato em andamento.

O Ka I, orientado por Josecler, entrou bem no desafio e marcou logo aos 6 minutos, por William, na conclusão de uma jogada iniciada com o passe de Diogo Gama para Kong Cheng Hou, a rasgar a defesa contrária, com Hou a rematar e o guarda-redes Lo Weng Hou a defender, só que a bola sobrou para o espaço onde William se encontrava, inaugurando o “placard”.

 

Equipa muito perdulária

O Chao Pak Kei voltava a sofrer um golo, tal como havia acontecido na jornada passada diante do Sporting e o próprio jogo acabou por ser algo semelhante, com o Ka I a actuar em contra-ataque, enquanto o CPK tinha mais posse de bola, mas pecava na altura da finalização, com muito desperdício, em especial por parte de Danilo Lins, que começou por ter uma primeira ocasião em que rematou, sem muito ângulo, à malha lateral.

Depois disso, houve um remate ao poste de Adilson Silva na sequência de um canto, para logo a seguir ser Ho Ka Seng a atirar de cabeça, mas um defesa do Ka I salvou em cima da linha de golo.

Na segunda parte, o Ka I tentou equilibrar, povoando mais o meio-campo, mas o Chao Pak Kei acelerou o ritmo e as oportunidades surgiam. Danilo, avançado oportuno, quase sempre no sítio certo para alvejar a baliza adversária, mas muito perdulário, esbanjou de forma incrível o empate, quando recebeu um cruzamento da esquerda e, já na pequena área, desviou para a defesa de Sou Kuok Ho, que protegeu bem o poste direito da sua baliza.

Pouco depois o Ka I poderia ter feito o 2-0, William não chegou a um centro de Diogo Gama, mas do seu lado direito apareceu Chan Pak Chun para o pontapé, proporcionando a defesa a Lo Weng Hou.

O jogo estava interessante e o Chao Pak Kei chegou ao empate, aos 60 minutos, num canto apontado por Bruno Figueiredo, que saltara do banco no arranque da segunda parte (substituiu Maronesi). Uma excelente cabeçada de Danilo (conseguiu com a cabeça aquilo que falhara sempre com os pés…), recolocou o CPK de novo na corrida pelos três pontos.

O Ka I mantinha o “veneno” do contra-ataque, quase sempre com William Gomes a receber passes em profundidade dos seus companheiros e o golo esteve perto, valendo o corte “na hora H” do suplente Lei Tin U.

Até ao final, Danilo voltou a esbanjar na pequena área e William Gomes atirou ao poste na sequência de um canto.

Mais dois pontos perdidos pelo Chao Pak Kei, que assim fica a sete do Benfica e começa a dizer adeus às suas pretensões ao primeiro lugar.

Nas outras partidas, vitórias normais de Ching Fung sobre a polícia (golos de Roni e Oumar Diarra, dois) e de Monte Carlo sobre a Alfândega (tentos de Miguel Noronha, dois, Vernon Wong, Bruce Chantre e Kuok San).

 

* Jornalista