A Alemanha (7-1 a Curaçau) e a Suécia (5-1 à Tunísia) entraram de forma afirmativa no Mundial de futebol de 2026, num quarto dia em que os Países Baixos só conseguiram empatar com o Japão.

Em Houston, onde Portugal se estreia na quarta-feira, a formação germânica ainda se assustou, quando, aos 21 minutos, Livano Comenencia ‘anulou’ o tento inicial de Felix Nmecha, aos seis, mas rapidamente tudo voltou ao normal. Nico Schlotterbeck, aos 38 minutos, após um canto, e Kai Havertz, aos 45+5, de penálti, colocaram a ‘mannschaft’ a vencer por 3-1 ao intervalo e, na segunda parte, Jamal Musiala, aos 47, Nathaniel Brown, aos 68, Deniz Undav, aos 78, e o ‘bis’ de Havertz, aos 88, materializaram a goleada dos germânicos.
Com este triunfo folgado, o ‘onze’ de Julian Nageslmann mostrou que não quer repetir as duas últimas edições, em que a Alemanha se ficou pela fase de grupos, algo que não condiz com o estatuto da tetracampeã mundial (1954, 1974, 1990 e 2014).
Os germânicos estão, para já, na liderança do Grupo E, com os mesmos três pontos da Costa do Marfim, que, em Filadélfia, venceu o Equador por 1-0, graças a um tento do suplente Amad Diallo, jogador do Manchester United, aos 90 minutos. Os sul-americanos atiraram por três vezes aos ‘ferros’ e foram melhores na primeira parte, mas acabaram por não conseguir chegar ao 20º jogo consecutivo sem perder – somavam 19, desde o 0-1 com o Brasil, em 6 de Julho de 2024.
A Costa do Marfim, que também atirou uma vez à barra, fica, desde já, em boa posição para conseguiu o primeiro apuramento para a fase a eliminar, à quarta presença em Mundiais, enquanto os equatorianos, na quinta participação, ainda vão muito a tempo de não replicar a queda na fase de grupos de 2022.
No Grupo F, os Países Baixos, principais candidatos ao primeiro lugar, não tiveram a estreia que, certamente, pretendiam, ao empatarem (2-2) com o Japão, em Arlington, num jogo em que estiveram por duas vezes a vencer, já na segunda parte. O capitão Virgil Van Dijk adiantou os neerlandeses, aos 50 minutos, mas Keito Nakamura empatou aos 57, para, aos 88, Daichi Kamada, sem querer, selar o 2-2 final, depois de Crysencio Summerville devolver o comando à selecção ‘laranja’, aos 64.
Os Países Baixos, que vão na 12ª presença e somam três finais perdidas (1974, 1978 e 2010), foram afastados pela campeã Argentina nos ‘quartos’ de 2022, enquanto o Japão, omnipresente desde 1998, caiu há quatro anos nos ‘oitavos’, perante a Croácia.
Com o empate entre neerlandeses e japoneses, a beneficiada foi a Suécia, que, com o central bracarense Lagerbielke no ‘onze’, goleou a Tunísia por 5-1, em Guadalupe, assumindo desde já a liderança isolada do agrupamento. Yasin Ayari, com dois ‘golaços’, aos sete minutos, a abrir o marcador, e aos 90+6, a fechar a contagem, foi uma das ‘estrelas’ do encontro, a par da dupla atacante formada pelo ex-‘leão’ Viktor Gÿokeres (Arsenal) e Alexander Isak (Liverpool).
Isak marcou um golo, o segundo, aos 30 minutos, assistido por Gyökeres, sendo que os dois jogadores trocaram os papéis aos 59, com o avançado dos ‘reds’ ainda a assistir Mattias Svanberg, aos 84, num jogo em que Omar Rekik reduziu para os africanos, aos 43.
O quinto dia do Mundial de 2026, que se prolonga até 19 de Julho, nos EUA, no México e no Canadá, contou, já após o fecho desta edição, com mais quatro jogos, incluindo o embate entre o estreante Cabo Verde e a campeã europeia em título Espanha, de Lamine Yamal.
Irão deixa mensagem de paz, mas lembra incidentes logísticos
O seleccionador Amir Ghalenoei observou que o futebol deve “trazer paz e alegria ao povo iraniano”, mas o capitão Mehdi Taremi, ex-jogador do FC Porto, lamentou os incidentes logísticos no Mundial2206, que “contrariam a mensagem de paz da FIFA”. “Jogamos por todo o povo iraniano e para toda o povo iraniano. O futebol tem o propósito de unir e trazer paz e alegria ao povo iraniano”, defendeu o seleccionador do Irão, antes da estreia frente à Nova Zelândia, em jogo do Grupo G, do qual fazem parte também a Bélgica e o Egipto. Amir Ghalenoei recusou comentar a guerra no Médio Oriente ou o anúncio do acordo de paz entre o Irão e os EUA resumindo a conferência de imprensa realizada após a chegada a Los Angeles a perguntas sobre a competição. Taremi foi mais incisivo e não deixou de criticar as dificuldades que enfrentaram várias selecções e até equipas de arbitragem para entrar nos EUA, um dos países organizadores do Mundial.
Painel antidiscriminação da FIFA pede expulsão de vídeo-árbitro
O painel antidiscriminação Fare, que trabalha com a FIFA, pediu ontem que o vídeo-árbitro Shaun Evans seja expulso do Mundial2026 de futebol, depois de o australiano ter feito um gesto conotado com grupos de supremacistas brancos. Quando a transmissão do encontro entre Alemanha e Curaçau, mostrou a sala da vídeo-arbitragem, Shaun Evans fez o símbolo ‘Ok’ (polegar e indicador a fazer um círculo e os outros dedos estendidos) com a sua mão direita. “O sentimento dos nossos especialistas é que o gesto usado é claramente um ‘Ok’ invertido, usado como o símbolo de ‘poder branco’ nos círculos de extrema-direita internacional”, reconheceu a Fare, que considera que “este árbitro não deve ter mais nenhum papel neste Mundial”. Contudo, o gesto pode também ser entendido como uma brincadeira de crianças, mas que foi apropriado por grupos de extrema-direita há uma década.
JTM com Lusa



