Xi Jinping garantiu ontem uma maior abertura do mercado chinês às importações, numa aparente repreensão velada aos EUA e a todos os que acusam Pequim de não cumprir as promessas de reformas

 

Perante um auditório repleto de dirigentes mundiais na primeira Exposição Internacional de Importações, realizada em Xangai, Xi Jinping asseverou que a China irá aumentar as compras ao exterior, mas não anunciou medidas concretas. “Vamos promover um ambiente de negócios de classe mundial”, prometeu o líder da segunda maior economia do mundo, que celebra o 40º aniversário do lançamento da era de reformas e abertura.

“As portas da China nunca mais serão fechadas, elas irão abrir mais”, disse o Presidente chinês na abertura do evento que junta personalidades como o Primeiro-Ministro russo, Dimitri Medvedev, a directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, e o fundador da Microsoft, Bill Gates.

No arranque de uma feira que promove o país como importador, e é vista como uma resposta à guerra comercial desencadeada em Julho por Donald Trump, descontente com o colossal défice acumulado pelos EUA, Xi sublinhou que a China deverá importar bens e serviços no valor de 40 mil milhões de dólares nos próximos 15 anos. Segundo especificou, o país asiático precisará de comprar ao resto do mundo 30 mil milhões de dólares em bens, e 10 mil milhões em serviços.

“É o nosso sincero compromisso abrir o mercado chinês”, afirmou Xi, prometendo que a China “vai abraçar o mundo”.

No entanto, as potências ocidentais não enviaram delegações ao mais alto nível, reflectindo o desagrado com as práticas comerciais de Pequim, que acusam de violar os seus compromissos de abertura do mercado. Portugal é representando pelo ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural português, Luís Capoulas Santos, pelo secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, Luís Medeiros Vieir, e uma delegação da AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal.

Grupos empresariais queixam-se de que Pequim está a ampliar as importações visando atender à procura dos consumidores e fabricantes domésticos, mas bloqueia o acesso a vários sectores. Washington e Bruxelas condenam a transferência forçada de tecnologia por empresas estrangeiras, em troca de acesso ao mercado, a atribuição de subsídios a empresas domésticas e obstáculos regulatórios que protegem os grupos chineses da competição externa.

Na semana passada, os embaixadores da França e Alemanha em Pequim emitiram mesmo um comunicado conjunto a apelar a mudanças, incluindo o fim de regulamentos que forçam as empresas estrangeiras a fazer ‘joint-ventures’ com firmas estatais locais.

Mas, Xi Jinping apelou aos críticos que resolvam os seus próprios problemas antes de acusarem a China. “Cada país deve trabalhar duramente para melhorar o seu ambiente de negócios. Não se podem embelezar enquanto criticam os outros ou apontar o foco sobre outras pessoas sem olharem para si próprios”, afirmou.

O líder chinês prometeu maior abertura nos sectores das telecomunicações, serviços de saúde, educação ou cultura, mas não avançou com mais detalhes. Também não referiu as disputas comerciais com os EUA, no entanto, numa indirecta a Trump, reiterou que “o sistema de comércio multilateral deve ser defendido”.

Cerca de 3.600 empresas oriundas de 152 países, incluindo de Portugal, de todos os sectores, desde tâmaras egípcias a maquinaria, participam no evento de cinco dias em Xangai.

 

JTM com Lusa e agências internacionais