O Presidente chinês apelou a “progressos contínuos e decisivos no combate à corrupção” nas Forças Armadas e alertou que “não pode haver indivíduos desleais” para com o Partido Comunista Chinês ou “elementos corruptos” nas Forças Armadas, após recentes purgas no alto comando militar do país. Xi Jinping fez estas declarações no sábado, durante uma reunião com deputados do Exército de Libertação Popular (ELP) e da Polícia Armada Popular, à margem da sessão anual da Assembleia Nacional Popular (ANP), informou a agência Xinhua. No seu discurso, Xi, que preside também à Comissão Militar Central (CMC), órgão que lidera o ELP e é a mais alta autoridade militar da China, enfatizou que as Forças Armadas devem apoiar “inabalavelmente” a liderança do Partido Comunista Chinês (PCC). Apelou ainda ao reforço dos mecanismos de supervisão em áreas sensíveis, como o fluxo de fundos, o exercício do poder e a gestão de grandes projectos militares, além de defender um controlo mais rigoroso do orçamento da defesa e a garantia de que os recursos são utilizados de forma eficiente. Durante a reunião, o presidente reiterou que a meta para o próximo plano quinquenal (2026-2030) é promover a modernização das Forças Armadas e alcançar o objectivo de tornar as Forças Armadas chinesas totalmente modernas até ao centenário da sua fundação, em 2027. As imagens divulgadas pela imprensa estatal sobre a reunião mostraram apenas Xi e o vice-presidente da CMC, Zhang Shengmin, sentados à mesa principal ao lado dos deputados militares, em contraste com reuniões semelhantes de anos anteriores, nas quais costumavam aparecer vários membros do órgão dirigente das Forças Armadas. Xi instou ainda a que sejam reforçados os mecanismos de supervisão em áreas sensíveis, como o fluxo de fundos, o exercício do poder e a gestão de grandes projectos militares, ao mesmo tempo que pediu para que seja melhorado o controlo do orçamento da defesa e seja garantido que os recursos sejam utilizados de forma eficiente. A redução visível da cúpula militar ocorre após vários meses de demissões e investigações disciplinares – no âmbito da campanha anticorrupção levada a cabo por Xi – que afectaram altos cargos do aparelho militar, incluindo os ex-ministros da Defesa Li Shangfu e Wei Fenghe, os ex-vice-presidentes da CMC Zhang Youxia e He Weidong e responsáveis pela Força de Mísseis do EPL e pelo Estado-Maior Conjunto. Este contexto coincide também com o anúncio, na semana passada, de um aumento de 7% do orçamento da defesa para 2026, até 1,91 biliões de yuans, apresentado à ANP juntamente com o relatório governamental. O aumento, inferior aos 7,2% registados em cada um dos três anos anteriores, acompanha outros objectivos económicos anunciados durante a abertura do Legislativo, entre os quais uma meta de crescimento “entre 4,5% e 5%” para 2026, a mais baixa desde 1991. Em 2025, as autoridades chinesas investigaram 115 funcionários de nível provincial, ministerial ou superior, de acordo com dados oficiais, num contexto de reforço do controlo disciplinar que coincidiu com o início do XV Plano Quinquenal (2026-2030).