O presidente chinês, Xi Jinping, afirmou em Banguecoque, numa reunião com a vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, que espera “maior entendimento” sino-americano para que diminuam os “mal-entendidos e erros de cálculo”.
“É de esperar que a China e os Estados Unidos avancem para um maior entendimento mútuo e diminuam mal-entendidos e erros de cálculo. Espera-se que trabalhemos juntos para levar as relações bilaterais para um caminho saudável e estável”, disse Xi durante o breve encontro com Harris, à margem da cimeira da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC) que decorreu no fim-de-semana.
Harris, que se encontra na capital da Tailândia a substituir o Presidente norte-americano, Joe Biden, salientou que Pequim e Washington “devem manter as linhas de comunicação abertas para gerir responsavelmente a concorrência”, indicou a Casa Branca numa declaração.
Por outro lado, o líder chinês aproveitou o encontro de líderes da APEC para apelar a uma maior integração dos países-membros, garantindo que o desenvolvimento chinês será sempre pacífico.
Xi, que saiu da China pela primeira vez em mais de dois anos, manteve esta semana uma agenda preenchida, com reuniões bilaterais à margem da cimeira do grupo das 20 economias mais desenvolvidas (G20), realizada na terça e quarta-feira.
O responsável chinês reuniu-se com Biden na segunda-feira, num encontro que serviu para tentar reduzir as tensões entre as duas principais potências económicas.
Joe Biden exortou Xi a procurar formas de “gerir as diferenças” para evitar que a competição entre as duas potências degenere num conflito, e manifestou disponibilidade para colaborar em “assuntos globais urgentes”, incluindo alterações climáticas e insegurança alimentar, enquanto Xi Jinping manifestou a intenção de manter um “diálogo franco e profundo” sobre os temas de importância estratégica nas relações bilaterais, a nível regional e global. Nessa reunião, o presidente chinês avisou o homólogo norte-americano para não “cruzar a linha vermelha” em Taiwan.
“A questão de Taiwan está no centro dos interesses centrais da China, a base da fundação política das relações sino-americanas, e é a primeira linha vermelha a não ser atravessada nas relações sino-americanas”, disse Xi a Biden, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.
Retomadas negociações na Cimeira do Clima
Estados Unidos e China retomaram as conversações na Cimeira do Clima do Egipto (COP27), num novo passo de aproximação entre os dois países depois do encontro entre Biden e Xi Jinping esta semana.
O enviado especial da China para o clima, Xie Zhenhua, confirmou numa conferência de imprensa que a colaboração sobre o clima entre os dois países foi renovada, numa altura em que não há ainda acordo sobre as contribuições dos maiores emissores mundiais de gases com efeito de estufa para ajudar as nações em desenvolvimento que suportam o peso do aquecimento global.
A cooperação EUA-China sobre o clima em 2014 ofereceu uma base fundamental para o Acordo de Paris um ano mais tarde, e elementos de uma declaração conjunta emitida pelos dois países no ano passado foram adoptados no acordo de Glasgow. Xie disse que os dois países concordaram em colocar na agenda formal de negociações a questão de como lidar com as perdas e danos nos países em desenvolvimento em resultado das alterações climáticas.
O mesmo responsável ressalvou que qualquer novo acordo deve ter em consideração o que ficou estabelecido no Acordo de Paris no que diz respeito às contribuições dos países desenvolvidos.
“A responsabilidade do financiamento cabe aos países desenvolvidos e é sua responsabilidade e obrigação”, disse Xie, porém “os países em desenvolvimento devem contribuir numa base voluntária. O Acordo de Paris deixou isto muito claro”, insistiu.
A questão de saber se os países com elevadas emissões, como a China, devem ou não contribuir para ajudar os países em desenvolvimento a enfrentar os danos provocados pelas alterações climáticas é um dos pontos controversos da COP27 em Sharm el-Sheikh.
A União Europeia está a pressionar no sentido da adopção de uma linguagem formal no acordo que permita a expansão da base de doadores em qualquer novo programa de compensação de perdas e danos e os Estados Unidos disseram também várias vezes que a China deveria contribuir para o financiamento de qualquer programa de compensação de perdas e danos.
O representante chinês argumentou que o seu país tem prestado apoio a outras nações em desenvolvimento sob a forma de ajuda a sistemas de alerta precoce, projectos de redução de emissões de carbono e desenvolvimento de energias renováveis.
Xie acrescentou que as discussões com o seu homólogo norte-americano, John Kerry, continuarão depois da reunião da COP27.
JTM com agências internacionais



