O Presidente chinês, Xi Jinping, afirmou ontem, em Pequim, estar “disposto a reforçar ainda mais a coordenação” durante um encontro com o líder de Myanmar, Min Aung Hlaing, que cumpriu o segundo dia de uma visita oficial à China. Xi descreveu o líder militar birmanês como um “amigo de longa data da China”, segundo a emissora estatal CCTV, em plena alegada transição política do regime, que procura reparar a sua imagem internacional. “A China adere ao princípio da não interferência nos assuntos internos, e a sua política de amizade em relação a Myanmar estende-se a todo o povo birmanês”, afirmou Xi, sublinhando que Pequim apoia a nação vizinha “na sua busca por um caminho de desenvolvimento adequado às suas condições nacionais e apoiado pelo seu povo”, segundo a agência de notícias Xinhua. O presidente chinês declarou que Pequim “apoia todos os lados em Myanmar para promover a paz e a reconciliação através de negociações e alcançar uma estabilidade duradoura no norte do país”, onde os insurgentes de minorias étnicas têm conquistado território contra o exército desde 2023. Segundo Xi, “ambos os lados devem avançar firmemente na construção de projectos-chave, sob a premissa de garantir a segurança, e devem continuar a combater o jogo online, a fraude nas telecomunicações, o tráfico de droga e outras actividades criminosas”, depois de anos em que Myanmar se tornou um centro regional para burlas cibernéticas e crimes transfronteiriços. Nos últimos anos, Pequim intensificou a pressão sobre Myanmar para desmantelar estes centros, muitos dos quais estão localizados em zonas fronteiriças e ligados a redes que atraem vítimas com falsas ofertas de emprego para as coagir a cometer fraudes online. Por seu lado, o líder birmanês assegurou que o seu país “atribui grande importância e garantirá plenamente a segurança das empresas e do pessoal chinês no país”, uma grande preocupação para as autoridades do gigante asiático. Segundo a agência Xinhua, Min Aung Hlaing garantiu que o seu governo “está a desenvolver todos os esforços para promover a paz e o desenvolvimento internos e está a explorar activamente um sistema político e um caminho de desenvolvimento adequados às suas condições nacionais”. O encontro decorreu durante uma visita de Estado, na qual Pequim eleva o estatuto protocolar de Min Aung Hlaing, que tomou posse como presidente em Abril, após eleições realizadas entre Dezembro e Janeiro sem oposição significativa. A China, que partilha mais de 2.000 quilómetros de fronteira terrestre com Myanmar, foi um dos poucos países que reconheceu estas eleições e mantém uma abordagem pragmática em relação ao seu vizinho, com ligações aos generais, aos grupos rebeldes e à oposição, numa tentativa de preservar a estabilidade e os seus interesses económicos.

 

JTM com agências internacionais