Pequim pediu aos EUA para não especular com as empresas chinesas nem travar as suas operações, depois do Departamento do Comércio americano ter recomendado que seja negada uma licença à China Mobile
Washington deve “oferecer um tratamento igualitário e um ambiente favorável para as empresas chinesas e fazer mais para promover a confiança mútua e cooperação”, algo que “serve o interesse de ambos os países”, afirmou Lu Kang, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, numa conferência de imprensa, em Pequim.
“Apelamos aos EUA que abandonem a mentalidade da Guerra Fria e o jogo de soma nula, deveriam ver este assunto de forma correcta”, acrescentou.
O comentário do porta-voz da diplomacia chinesa surge depois de a Administração Nacional de Informação e Telecomunicações dos EUA, que está sob a tutela do Departamento do Comércio, ter apontado motivos de “segurança nacional”, para recomendar à Comissão Federal de Comunicações, uma agência independente, que trave a entrada no país da China Mobile, a maior operadora de telecomunicações do mundo.
“Depois de uma significativa interacção com a China Mobile, as preocupações sobre o aumento de riscos para a ordem pública e segurança nacional não foram dissipadas”, afirmou em comunicado David J. Redl, o vice-secretário para as Comunicações e Informação do Departamento de Comércio.
Com cerca de 900 milhões de utilizadores, a China Mobile pediu em 2011 uma licença para operar nos EUA.
A Administração de Donald Trump anunciou, no mês passado, taxas alfandegárias de 25% sobre um total de 34.000 milhões de dólares de importações oriundas da China, numa retaliação contra a falta de protecção dos direitos de propriedade intelectual das empresas norte-americanas no país asiático. Washington acusa Pequim de exigir às empresas estrangeiras que transfiram tecnologia para potenciais concorrentes chinesas, em troca de acesso ao mercado chinês.
Trump ameaça ainda limitar os investimentos chineses nos EUA.
JTM com Lusa



