A venda da participação maioritária no Banco Comercial do Atlântico (BCA) à Coris Holdings do Burkina Faso deverá ficar concluída em três meses, previu à Lusa o governador do Banco de Cabo Verde (BCV). Óscar Santos disse que o pedido deu entrada “há sensivelmente duas semanas” e está a ser analisado pelo departamento microprudencial do banco central cabo-verdiano. O governador explicou que tudo vai depender dos documentos que serão solicitados e da resposta do proponente e que o tempo de decisão “pode ir de um mês a três meses”. Quanto aos clientes deste que é um dos maiores bancos de Cabo Verde, Óscar Santos disse que podem “ficar tranquilos” com a mudança de titular. Em Março, a Caixa Geral de Depósitos (CGD) anunciou a venda da participação maioritária, 59,81% do capital social do BCA, à Coris Holdings do Burkina Faso. A venda será feita por 70,5 milhões de euros, mas a concretização da mudança está à espera das formalidades de direito cabo-verdiano. A alienação faz parte do plano de reorganização da actividade internacional da CGD, que vai continuar presente em Cabo Verde através do Banco Interatlântico (BI), que agora comemorou 25 anos no país com uma conferência sobre sustentabilidade, na Praia. O evento contou com a presença do vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças cabo-verdiano, Olavo Correia, que sublinhou que o BI é uma “marca forte” no arquipélago e que “tem estado a crescer”. Para os próximos 25 anos, o governante disse esperar que o BI continua a dar o seu contributo para a modernização do sistema financeiro cabo-verdiano.
Banco central angolano continua a acompanhar situação do Banco Económico
O governador do Banco Nacional de Angola (BNA) disse que a situação do Banco Económico (BE) continua a ser “monitorada” e adiantou que o banco russo VTB está numa “situação complexa”. Tiago Dias frisou que “o trabalho continua” em relação ao BE e realçou que há um plano que está a ser seguido pelo antigo Banco Espírito Santo de Angola (ex-BESA). “O Banco Nacional de Angola continua a fazer o monitoramento deste plano e vamos obtendo cada vez mais informação sobre este banco, razão pela qual podemos dizer que neste momento o trabalho continua”, declarou, no final da 18ª reunião ordinária do Comité de Política Monetária. O Banco Económico substituiu, em 2014, o BESA, quando o português Banco Espírito Santo perdeu o seu controlo, tendo o Estado angolano tomado o controlo da instituição financeira e injectado um capital de três mil milhões de dólares, contudo, foi declarado insolvente. Relativamente ao banco russo VTB, Tiago Dias declarou que “é uma situação complexa”, porque a estrutura mãe dessa instituição está localizada numa jurisdição que está sujeita a “várias sanções internacionais”. “Isso faz com que a relação, principalmente em termos de transferência de fundos entre a sucursal em Angola e a sua sede, não seja assim tão fácil, por isso também é um tema que carece de cuidados especiais e tem merecido o devido acompanhamento por parte do Banco Nacional de Angola”, observou. O VTB África, instituição de direito angolano ligada ao grupo russo VTB conta em Angola com cerca de 4.000 clientes, entre os quais 450 empresas, essencialmente do sector mineiro.
Estado guineense lançou concurso internacional para vender 80% da Guinetel
O Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Guiné-Telecom, João António Mendes, anunciou que o Estado guineense decidiu vender 80% do capital da Guinetel, rede móvel nacional, tendo já lançado um concurso internacional. Inicialmente, disse António Mendes, o Estado pretendia vender as acções da Guiné-Telecom (rede fixa) e da Guinetel, mas, com o passar do tempo, a estratégia foi alterada para a venda apenas da rede móvel, ficando o Estado com 20%, que disponibilizará a accionistas nacionais. Em 2010, a PT decidiu sair do capital social das duas empresas guineenses, deixando o Estado com 100% do capital social, tanto da Guinte-Telecom como da Guinetel. De acordo com Mendes, a Portugal Telecom Investimentos Internacionais representou os interesses da PT na Guinetel, onde detinha 60% do capital social, entre 2004 e 2010. Na mesma altura, a PT Comunicações SA representava os interesses da PT na Guiné-Telecom, tendo 49% do capital social. A partir daquele momento, as duas empresas, agora detidas unicamente pelo Estado guineense, passaram a ser geridas por quadros locais e em 2014 deu-se o início da “falência técnica” de ambas, assinalou o PCA da Guiné-Telecom. Num primeiro momento, explicou António Mendes, o Governo guineense elegeu como saída a venda das acções da Guiné-Telecom e da Guinetel, mas, com o aconselhamento de instituições internacionais, voltou atrás. “Nesta fase embrionária, o Estado vai conservar 20% que vão ser postos à disposição para que os actores nacionais, instituições ou particulares, neste caso privados individuais, possam entrar no capital da Guinetel como accionistas”, esclareceu. Os pressupostos para um concurso público internacional para a selecção de uma futura empresa a ficar com os 80% da Guinetel já foram lançados e na primeira semana de Agosto serão conhecidas as empresas que reúnem “as condições exigidas para participar no concurso”, assinalou o PCA da Guiné-Telecom.



