A guerra do Irão, iniciada há um mês, teve um impacto severo na Ásia, o continente mais afectado pelas interrupções no trânsito de energia através do Estreito de Ormuz, enquanto países como o Paquistão e a China lançaram iniciativas diplomáticas em busca de uma solução para o conflito. A Ásia é o principal destino do combustível que passa pelo Estreito de Ormuz: entre 84% e 90% do petróleo e quase 83% do gás natural liquefeito destina-se a países da região, que adoptaram medidas significativas para tentar mitigar os problemas de abastecimento e a subida dos preços. Neste contexto, a Rússia voltou a ocupar o centro das atenções. Índia, China e nações do Sudeste Asiático recorreram a Moscovo para novas compras de energia, sobretudo depois de os EUA terem levantado temporariamente as sanções ao crude russo. Embora seja a principal parceira comercial do Irão e a sua maior potência aliada, a China não se mobilizou publicamente em apoio a Teerão. Condenou as acções dos EUA e de Israel, mas os esforços diplomáticos centraram-se mais nos países do Golfo envolvidos no conflito, através de conversações telefónicas promovidas pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, e do envio do seu representante especial para o Médio Oriente, Zhai Jun, à Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Kuwait, Qatar e Egipto. Pequim tenta manter um delicado equilíbrio: condenar a ofensiva contra o Irão, mas também exigir o respeito pela soberania dos países do Golfo atacados por Teerão, com os quais mantém estreitos laços políticos e energéticos. O bloqueio de Ormuz teve impacto directo na China: quase 45% das suas importações de petróleo passam por esta via navegável, e Pequim teve de intervir de forma extraordinária pela primeira vez desde 2013, limitando os aumentos de preços. O Paquistão está a mediar as negociações entre os EUA e o Irão, alavancando a sua aliança militar com os Estados do Golfo e o papel de ponte para a República Islâmica para evitar um colapso regional. No meio de um conflito com o Afeganistão por causa da insurgência talibã, o Paquistão também sente a pressão do acordo de defesa mútua com a Arábia Saudita, que poderá obrigá-lo a abandonar a neutralidade em caso de escalada do conflito. Por outro lado, a guerra obrigou a Índia a reforçar a indústria de refinação para garantir o consumo interno e a posição de exportador para 150 países, enquanto os seus vizinhos se encontram à beira do colapso. Paquistão, Nepal e Bangladesh impuseram um racionamento crítico após a queda de 95% nas importações de crude, que coincide com uma crise para os 21 milhões de migrantes do Sul da Ásia no Golfo, devido à paragem das remessas, que representam 25% do PIB de países como o Nepal. O Japão ficou numa situação delicada após o ataque dos EUA, o seu principal aliado militar, enquanto tenta lidar com as consequências económicas de Ormuz. Tóquio tem evitado comentar a legalidade da ofensiva e, quando o Presidente americano solicitou assistência para garantir a navegação no Estreito de Ormuz, a Primeira-Ministra nipónica afirmou que o Japão só consideraria o envio de navios após um cessar-fogo. Já a Coreia do Sul focou-se em medidas para garantir o fornecimento de energia, incluindo a libertação histórica de 22,46 milhões de barris de crude das suas reservas estratégicas, em coordenação com a Agência Internacional de Energia. Na passada terça-feira, as Filipinas tornaram-se o primeiro país a declarar o estado de emergência energética, uma vez que as suas importações de crude provêm quase todas do Golfo Pérsico e o arquipélago só tem para apenas 45 dias. Juntamente com a Tailândia e o Vietname, as Filipinas também recorreram à Rússia em busca de petróleo e gás. O Vietname e a Rússia assinaram ainda um acordo de cooperação para a construção daquela que será a primeira central nuclear do país do Sudeste Asiático.
JTM com agências internacionais



