Representantes da União Europeia, Canadá e China defenderam o multilateralismo como forma de combater as alterações climáticas, na abertura da 10ª Reunião Ministerial sobre Acção Climática (MoCA), em Bruxelas, antes da próxima cimeira do clima (COP31), que se realizará em Novembro em Antalya, na Turquia. O Comissário Europeu para a Acção Climática, Wopke Hoekstra, insistiu que a luta contra as alterações climáticas continua a ser uma prioridade para os governos, apesar da instabilidade geopolítica e económica e das consequências cada vez mais frequentes e graves do aquecimento global. Hoekstra realçou que o principal desafio reside na implementação dos compromissos assumidos no Acordo de Paris, assinado em 2015 e em vigor desde 2016, que estabelece o objectivo de limitar o aumento da temperatura global a 2°C e procurar mantê-lo abaixo dos 1,5°C. “A resposta não pode ser abrandar a transição; deve ser acelerada”, afirmou o comissário holandês, sustentando que “a acção climática, a energia, a segurança e a prosperidade económica são objectivos inseparáveis ​​e que se reforçam mutuamente”. O responsável pela política climática da UE reafirmou o “compromisso total” da UE com a cooperação multilateral e instou todos os países que ainda não apresentaram os seus planos climáticos, conforme estipulado no Acordo de Paris, a fazê-lo o mais rapidamente possível. Por sua vez, o ministro do Ambiente da China defendeu que “o multilateralismo não desaparecerá apesar da ausência de alguns países importantes”, aludindo (sem os nomear) aos EUA, que voltaram a retirar-se do Acordo de Paris em Janeiro de 2025, após o regresso de Donald Trump à Casa Branca. Huang Runqiu defendeu a protecção do multilateralismo através do “envio de sinais políticos claros” e da “injecção de energia positiva e certeza na luta contra as alterações climáticas”. O ministro chinês relacionou ainda a instabilidade internacional com a emergência climática, afirmando que a guerra no Irão “sublinha que a acção climática contribui para o reforço da transição económica e ecológica”. “Estamos no ponto de partida da nova década do Acordo de Paris”, concluiu, expressando confiança de que a próxima cimeira climática será decisiva. Já a ministra do Ambiente do Canadá defendeu que a implementação dos compromissos climáticos deve basear-se “nas realidades quotidianas da vida das pessoas”, promovendo “soluções que incentivem a acessibilidade, reforcem a resiliência económica e melhorem a qualidade de vida da população”. “A acção climática não é apenas uma obrigação moral, mas também uma necessidade económica num mercado global que prioriza cada vez mais a sustentabilidade”, frisou Julie Dabrusin. Negando que seja necessário “escolher entre a acção climática e a prosperidade económica”, a ministra explicou que, desde 2005, as emissões do Canadá caíram 10%, enquanto a sua economia cresceu 42% e a população 28%. “Nenhum país pode enfrentar o desafio climático sozinho, por isso, devemos trabalhar em conjunto e apoiar-nos mutuamente”, acentuou. As conversações de segunda-feira centraram-se nas expectativas para as próximas negociações climáticas da ONU, no financiamento, em formas de acelerar a acção climática global e em como atingir as metas de ambição e implementação.

 

JTM com agências internacionais