O Governo timorense realizou uma cerimónia para assinalar o lançamento oficial dos Cabos de Timor-Leste e o início da comercialização do fornecimento de Internet por fibra óptica ao público. “Isto significa que o nosso país vai deixar de depender, em grande medida, das dispendiosas e menos fiáveis ligações por satélite e por rádio”, afirmou o Primeiro-Ministro, num discurso proferido na cerimónia. Segundo Xanana Gusmão, Timor-Leste vai também passar a ter acesso a uma “maior capacidade de ligação internacional” e a “serviços de Internet mais rápidos, mais fiáveis e mais acessíveis”. O Governo iniciou, em Junho de 2024, a instalação do cabo submarino de fibra óptica que liga o país a Darwin, na Austrália. O cabo tem 607 quilómetros de extensão e capacidade para transferir dados até 27 ‘terabits’ por segundo entre os dois países. “Este cabo submarino é agora uma parte importante da infra-estrutura nacional. O seu objectivo é servir o povo timorense”, sublinhou Xanana Gusmão. O líder nacional destacou que o cabo submarino não diz respeito apenas ao acesso à Internet, mas terá também impacto no acesso à educação, à informação, aos mercados, aos serviços públicos, ao emprego, às escolas, à saúde e às empresas. “O sucesso deste projecto será medido pela sua capacidade de melhorar a vida da nossa população”, afirmou. O Primeiro-Ministro referiu ainda que a Internet deve ajudar alunos e professores a obter um melhor acesso a recursos educativos e à aprendizagem digital. “Deve ajudar os profissionais de saúde a comunicar com especialistas, partilhar informação e prestar melhores serviços às pessoas que vivem longe de Díli”, disse. Xanana Gusmão salientou igualmente que a infra-estrutura deve permitir aos timorenses aceder mais facilmente aos serviços públicos, reduzindo o tempo e o dinheiro gastos nas deslocações às repartições públicas. “Deve ajudar agricultores, cooperativas e pequenas empresas a obter informação, encontrar novos clientes e participar mais na economia nacional, regional e internacional”, acrescentou. “Deve também ajudar os nossos irmãos e irmãs que vivem no estrangeiro a manter a ligação com as suas famílias e com o nosso país”, disse ainda. Xanana apelou à empresa pública Cabos Timor-Leste, aos fornecedores de telecomunicações e às instituições públicas para trabalharem por forma a garantir que os benefícios da infra-estrutura chegam à população. O Ministério dos Transportes e Comunicações ficará responsável pelo fornecimento de Internet às instituições governamentais, ministérios, instituições públicas, municípios, postos administrativos e aldeias.

 

Moçambique aprova regulamento de avaliação de desempenho na Função Pública

O Governo moçambicano aprovou o novo regulamento de avaliação de desempenho na Administração Pública, que pretende reforçar a cultura de mérito e melhorar a qualidade dos serviços públicos no país. Em declarações no final da reunião do Conselho de Ministros, o porta-voz daquele órgão, Inocêncio Impissa, disse que o novo Regulamento do Subsistema de Avaliação de Desempenho na Administração Pública “estabelece um novo quadro normativo orientado à promoção da cultura do mérito, ao desenvolvimento profissional e à elevação da qualidade dos serviços públicos”. O porta-voz explicou que a revisão do regulamento visa adequar os mecanismos de avaliação às actuais exigências da administração pública, reforçando critérios de desempenho e de responsabilização dos funcionários do Estado. O Conselho de Ministros aprovou igualmente o decreto que define os termos da concessão das infra-estruturas da fronteira de paragem única de Machipanda, na província de Manica, centro de Moçambique, ao abrigo de uma parceria público-privada. “O decreto estabelece a base legal para a concessão a um operador privado, nomeadamente o consórcio Union Port King e Zangumei, para construção, operação, manutenção, gestão e devolução ao Estado das infra-estruturas do projecto integrado de modernização e expansão da fronteira de Machipanda”, explicou Impissa. A concessão prevê a construção, operação, manutenção, gestão e posterior transferência para o Estado das infra-estruturas integradas de modernização e expansão da fronteira de Machipanda, um dos principais corredores de comércio regional. Segundo o porta-voz, o acordo garante uma participação de 15% do Estado, através do Fundo de Estradas, no capital social da empresa que implementará o projecto, e uma participação de 10% reservada ao empresariado local da província de Manica. Espera-se a redução do tempo de espera na travessia fronteiriça, a diminuição dos custos logísticos e o aumento da competitividade do Corredor da Beira, também no centro de Moçambique, referiu.

 

Ataque informático deixa milhões da Unitel sem rede antes da estreia em bolsa

A maior operadora de telecomunicações de Angola, a Unitel, ficou sem rede em todo o país desde a madrugada de terça-feira devido a um ataque informático, na véspera da estreia em bolsa, comunicou a empresa. Em comunicado, a Unitel indicou que o ataque cibernético à sua infra-estrutura tecnológica foi registado cerca das 02:20 locais e teve impacto nos serviços de voz, dados móveis e acesso à Internet em todo o território nacional. A operadora adiantou que activou de imediato os mecanismos de resposta e contenção e que as equipas técnicas e de cibersegurança “continuam a trabalhar para mitigar os efeitos do incidente e assegurar a reposição integral dos serviços”, que se mantêm condicionados. Clientes particulares e empresariais contactados pela Lusa queixaram-se de constrangimentos no acesso aos serviços que dependem da rede móvel, desde a impossibilidade de fazer telefonemas à utilização de táxis por aplicação ou usar a Internet em casa. No sector empresarial, a indisponibilidade dos sistemas informáticos está a dificultar a facturação e os contactos com clientes e fornecedores. “Dificuldades nas marcações, falta de comunicação com clientes e fornecedores, agendamentos e atrasos, tempo de espera, falta de comunicação com o ‘call center’, emissão de facturas, recibos e validação de processos com seguradoras – uma dor de cabeça”, lamentou a responsável de uma clínica, sublinhando que, embora a empresa seja alheia à falha, o mau serviço tem um impacto negativo na experiência do utente e faz aumentar as reclamações. A falha ocorreu a um dia da estreia da Unitel na Bolsa de Dívida e Valores de Angola, na quarta-feira, que marcou a entrada em negociação das acções da operadora na sequência da privatização de 15% do capital. No âmbito dessa operação, o Estado angolano vendeu, através do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), 7,5 milhões de acções – 13% destinados ao público em geral e 2% reservados aos trabalhadores -, num processo de oferta pública que decorreu entre 6 e 24 de Julho, gerando um encaixe de quase 300 milhões de euros para o Estado angolano. Segundo o Relatório & Contas de 2025, a Unitel conta com 20,8 milhões de clientes e detém uma quota de mercado de 76%. A empresa opera também em São Tomé e Príncipe e em Cabo Verde.

 

Província angolana do Moxico Leste com 14 casos de mpox

A província angolana do Moxico Leste regista 14 casos positivos monkeypox (mpox), a maioria importada da vizinha República Democrática do Congo (RDCongo), anunciou a directora do gabinete provincial da Saúde. Benilde Miguel falava à margem da segunda reunião ordinária do governo provincial do Moxico Leste, tendo esclarecido que os casos positivos resultam das mais de 50 amostras enviadas para testes laboratoriais em Luanda, segundo a agência noticiosa angolana Angop. A responsável adiantou que a maioria dos casos foi importada da RDCongo, apontando o Luau como o epicentro do vírus na província. As restantes amostras continuam em análise no centro de diagnóstico de Luanda. Para travar a propagação do vírus, Benilde Miguel disse que as autoridades continuam a mobilizar profissionais de saúde e medicamentos e a disseminar informação de reforço da prevenção, decorrendo ainda campanhas de vacinação dirigidas sobretudo às pessoas expostas. Angola acumulava em Junho 28 casos positivos de mpox desde o primeiro diagnóstico, em Novembro de 2024, e uma morte, registada na província do Uíge, segundo dados avançados na altura pela Televisão Pública de Angola (TPA). Desde o início do ano foram também vacinadas mais de 61 mil pessoas contra a mpox, que é uma doença viral transmitida pelo contacto próximo com pessoas ou animais infectados. Os sintomas incluem febre, dores no corpo, gânglios inchados e erupções na pele que formam bolhas.

 

Serviços de Inteligência e Migração de Timor-Leste reforçam cooperação

Os serviços de Inteligência e de Migração timorenses assinaram um memorando de entendimento para reforçar a cooperação nas áreas da segurança nacional, gestão migratória e prevenção de ameaças transnacionais, anunciou o gabinete do Primeiro-Ministro. “Este memorando de entendimento representa um passo importante no reforço da capacidade do Estado para proteger a segurança nacional, garantir a integridade das fronteiras e responder de forma mais eficaz aos desafios emergentes”, disse Xanana Gusmão, citado num comunicado. O acordo foi assinado pelo director-geral do Serviço Nacional de Inteligência Estratégica, Longuinhos Monteiro, e pelo director-executivo do Serviço de Migração, comissário Jorge Monteiro, na presença do Primeiro-Ministro. No âmbito do memorando de entendimento, os dois serviços vão partilhar dados migratórios e informações estratégicas. Para Xanana Gusmão, a segurança do Estado não depende só da capacidade de resposta, mas também da capacidade de antecipar e identificar riscos, salientando o comunicado que a mobilidade de pessoas cria oportunidade de desenvolvimento, mas também gera vulnerabilidade, exploradas pelo crime organizado. “O controlo migratório, a inteligência estratégica, a segurança interna, a fiscalização económica, a protecção digital e a cooperação internacional devem funcionar como partes integrantes de uma arquitectura nacional de segurança”, sustentou o chefe do Governo.