As relações entre Pequim e Washington melhoraram após as negociações realizadas esta semana sobre a disputa comercial, garantiu o Governo chinês. Segundo os EUA, o diálogo centrou-se na promessa da China de comprar mais bens norte-americanos

 

As negociações para encerrar a guerra comercial entre China e EUA, que decorreram esta semana em Pequim, “melhoraram o entendimento mútuo e lançaram as bases para tratar das preocupações uns dos outros”, garantiu ontem o Ministério de Comércio chinês.

Num comunicado publicado no seu site, o Ministério indicou que delegações dos dois países, que se reuniram durante três dias na capital chinesa, “implementaram activamente” o consenso alcançado a 1 de Dezembro do ano passado entre os Presidentes da China, Xi Jinping, e dos EUA, Donald Trump. Além disso, “realizaram diálogos exaustivos, detalhados e aprofundados sobre problemas comerciais e estruturais de interesse mútuo”.

O breve comunicado salienta ainda que “ambas as partes concordaram em manter contactos próximos”, porém, o Ministério não esclareceu se foram alcançados acordos concretos.

Por sua vez, o Departamento do Comércio dos EUA revelou que as conversas focaram-se na promessa da China de comprar uma “quantidade substancial” de produtos agrícolas, energia, bens manufacturados e outros produtos e serviços. Mas, enfatizou também a insistência de Washington em “mudanças estruturais” na política chinesa para o sector tecnológico, mais acesso ao mercado ou melhor protecção da propriedade intelectual e o fim da ciber-espionagem sobre segredos comerciais de firmas norte-americanas.

Washington realçou ainda a necessidade de uma “verificação contínua” e “aplicação efectiva”, em caso de acordo, reflectindo a frustração norte-americana, face a acordos feitos com Pequim no passado e que não foram cumpridos.

Para já, os analistas revelam-se cautelosos sobre esta ronda de negociações. Os dois lados podem estar a caminho de um “acordo estreito”, mas “os falcões comerciais dos EUA” querem “limitar o âmbito desse acordo e manter a pressão sobre Pequim”, considera um relatório da consultora Eurasia Group, advertindo que “o risco de as negociações falharem continua a ser significativo”.

 

Taiwan tenta aliviar impacto da guerra comercial

O Primeiro-Ministro de Taiwan anunciou entretanto um pacote de medidas económicas para aumentar a procura interna no país, uma medida que tem como objectivo aliviar os efeitos da guerra comercial entre a China e os EUA. “Devido às mudanças económicas globais, como o conflito comercial entre os Estados Unidos e a China (…), a procura interna vai tornar-se um factor chave na estabilização do crescimento económico nacional”, disse Lai Ching-te, segundo um comunicado divulgado pelo Governo.

As exportações de Taiwan caíram 2,6% em Dezembro, em comparação com o período homólogo de 2017, segundo dados oficiais, e os especialistas económicos consideram que irão decrescer ainda mais em 2019, especialmente se o conflito comercial entre Washington e Pequim continuar.

A redução da carga tributária, o incentivo ao turismo, a organização de grandes eventos e a redução do consumo energético são algumas das medidas anunciadas pelo Primeiro-Ministro.

 

JTM com Lusa e agências internacionais