O Presidente da República Portuguesa, António José Seguro, recebeu as chaves da cidade da Praia, assumindo-a também como sua casa, num momento mais descontraído da visita a Cabo Verde, em que até um “bem-haja” beirão veio à conversa.
As chaves foram entregues nos paços do concelho como “prova da amizade” da capital cabo-verdiana com Portugal, referiu o presidente do município, Fernando Pinto.
Uma “relação especial”, disse o autarca, que tem sido uma referência constante nos diversos momentos institucionais que têm composto a visita de Estado ao arquipélago, desde terça-feira.
As portas da capital “estão abertas a Portugal”, um “sinal de confiança” que Seguro considerou “especialmente importante, considerando que a comunidade portuguesa está maioritariamente na capital” assim como os projectos de cooperação bilateral.
“Agradeço a forma calorosa como me recebeu, nesta sua casa que agora também passou a ser minha: não sei se há horário de entrada ou não, mas vou tentar ser o mais discreto possível quando entrar e sair excepto quando precisar desta ‘morabeza’”, acrescentou o chefe de Estado, numa alusão à hospitalidade cabo-verdiana.
“São as primeiras chaves que recebo, tirando aquelas, quando fiz 18 anos, que os meus pais me entregaram e disseram que já não havia problema quanto ao horário de chegar a casa”, disse.
António José Seguro assinalou ainda mais um detalhe de proximidade entre povos: “Não sei se repararam, mas o presidente da câmara disse três vezes bem-haja. É uma expressão que aprendi desde pequenino, sou beirão”, justificou.
O termo foi mais um “sinal relevante” de como a cultura portuguesa e cabo-verdiana estão interligadas – outro aspecto vincado desde o início da visita de Estado.
A proximidade já tinha sido tema recorrente nos discursos da manhã, durante a abertura do Fórum Empresarial Cabo Verde – Portugal e numa sessão solene na Assembleia Nacional.
Durante a intervenção no parlamento cabo-verdiano, António José Seguro, emocionado, evocou Luís Represas. Com voz embargada, Seguro fez um parêntesis na sua intervenção para “evocar Luís Represas, que nos deixou”, um “músico de excepção com um timbre de voz inigualável” e que contribuiu para a “afirmação da língua portuguesa”.
A evocação foi feita com “um duplo sentimento” de quem “perde um amigo”, mas também de um chefe de Estado “que se curva perante a sua memória”. Luís Represas “tocou gerações e atravessou continentes”.
“Ficará para sempre nos nossos corações. Muito obrigado, Luís. Como tantas vezes cantaste, talvez um dia te encontre”, concluiu Seguro, que já tinha divulgado uma nota de pesar no sítio oficial da Presidência da República na internet.
Nos eventos seguintes da agenda, exprimiram pesar tanto o Presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, como o presidente da Câmara da Praia, Fernando Pinto.
Depois de um almoço oferecido a bordo do navio Bartolomeu Dias da Marinha Portuguesa, o programa de quarta-feira incluiu uma visita ao Museu da Resistência, no Tarrafal, com deposição de coroa de flores pelos dois presidentes em memória das vítimas do campo de concentração do regime colonial português.
O dia terminou com uma visita à Cidade Velha, berço da nação cabo-verdiana e integrada na rede de Património da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
JTM com Lusa



