Equipes de resgate e moradores trabalharam durante a noite para procurar passageiros no voo da Air India Express que caiu durante a aterragem no Aeroporto Internacional de Kozhikode na província de Kerala na noite de quinta-feira, matando 19 pessoas
Kozhikode é o actual nome de Calicute onde chegou Vasco da Gama em 149. É a segunda cidade da província de Kerala com cerca de 2,5 milhões de habitantes, local de onde tradicionalmente se emigra para os países do Golfo Pérsico.
Segundo os terstemunhos locais, o avião, num voo de repatriamento desde o Dubai, debateu-se com o mau tempo. Não tendo conseguido aterrar à primeira vez devido à forte chuva ultrapassou a pista e caiu num pequeno desfiladeiro, dividindo-se em dois.
O acidente, o pior da Índia desde 2010, desencadeou um olhar mais atento sobre a segurança das dimensões da pista do aeroporto e de outras de tipo semelhante no país.
O voo IX 1344, um Boeing 737 operado pela unidade de baixo custo da Air India, transportava 190 passageiros, incluindo 10 crianças. Fazia parte da Missão Vande Bharat do governo indiano para repatriar cidadãos retidos no exterior durante a pandemia de Covid-19. A maioria dos passageiros eram trabalhadores nos Emirados Árabes Unidos, muitos dos quais perderam os seus empregos. Tinham ficado durante semanas, em listas de espera para voltar para casa.
O piloto e o co-piloto estão entre os mortos. A caixa preta e o gravador de voz da cabina foram recuperados, disse um alto funcionário da Diretoria Geral de Aviação Civil à Reuters no sábado.
Sharafu Pilassery, uma das vítimas, postara no Facebook uma foto de família com a sua esposa e a filha de três anos com máscaras e macacões brancos de protecção. “De volta para casa”, escreveu, pouco antes do voo descolar do Aeroporto do Dubai. Pilassery sucumbiu aos ferimentos no Hospital Baby Memorial. As autoridades disseram que a sua esposa está em condição estável, mas a sua filha está nos cuidados intensivos.
Autoridades do aeroporto disseram que felizmente, o aviões não se incendiou, reduzindo assim o número de vítimas. Um funcionário da Direcção-Geral de Aviação Civil (DGCA) disse que a aeronave parecia ter aterrado numa velocidade maior do que a normal, dando aos pilotos menos tempo para pará-la numa pista, reconhecidamente curta.
A chuva tem sido torrencial esta semana na província de Kerala, onde 20 pessoas morreram em deslizamentos de terra. A chuva também pode ter feito o avião derrapar, disse um oficial do distrito de Kozhikode encarregado dos resgates.
Equipas de emergência do aeroporto e dezenas de moradores correram para resgatar passageiros, muitos deles feridos e inconscientes, e enviaram-nos para hospitais próximos.
A administração distrital divulgou os nomes e detalhes dos passageiros, junto com os números da linha de ajuda para os parentes ligarem. O ministro-chefe de Kerala, Pinarayi Vijayan, disse que falou com o primeiro-ministro Narendra Modi, que lhe garantiu toda a ajuda e assistência do governo central.
A ministra da Saúde de Kerala, K. K. Shailaja, disse que todos os que estiveram envolvidos nas operações de resgate deveriam entrar em quarentena. “O governo estadual conduzirá testes do Covid-19 para todos”, disse.
O acidente levantou preocupações na Índia sobre outros aeroportos com pistas mais curtas do que o normal denominados de “aeroportos de mesa”.
O aeroporto internacional de Kozhikode fica numa colina e tem uma pista de 2.860 m que para quase à beira do penhasco. O último grande acidente de avião de passageiros na Índia foi em Maio de 2010, na vizinha Mangalore, que também tem um aeroporto “de mesa”. O avião ultrapassou a pista e morreram 158 pessoas.
Após esse acidente uma comissão de segurança recomendou a instalação de um sistema de desaceleração da aeronave para evitar que os voos excedam as pistas curtas nos aeroportos de Mangalore e Kozhikode. No entanto, as autoridades governamentais ignoraram a sugestão, citando despesas e a impossibilidade de fechar a pista para instalação.
A Índia tem mais quatro outros aeroportos em colinas – em Mizoram, Sikkim e Himachal Pradesh. Os aeroportos de Paro, no Butão e Kathmandu, no Nepal, também são construídos de forma semelhante.
A DGCA investigará o acidente do Kozhikode. A caixa negra já foi encontrada.
JTM com agências



