Em Abril, o Congresso dos EUA começou a analisar um projecto de lei que restringiria ainda mais o acesso da China a ferramentas de alta tecnologia usadas no fabrico de semicondutores, essenciais para a corrida à inteligência artificial (IA) entre os dois países. O MATCH Act, se for aprovado e implementado, irá colmatar lacunas nos controlos de exportação dos EUA e prejudicar significativamente o desenvolvimento da IA ​​na China, que já está limitado pela restrita capacidade computacional. Esta iniciativa reflecte os esforços de Washington para endurecer as restrições, no meio da crescente competição tecnológica entre os dois países. Washington quer manter a liderança na corrida à IA, enquanto Pequim ambiciona a auto-suficiência e reforça o seu arsenal de retaliação. O Ministério do Comércio da China prometeu monitorizar o processo legislativo dos EUA e “tomar resolutamente as medidas necessárias”, acrescentando que se opõe a qualquer comportamento que “abuse dos controlos de exportação”. Isto acontece antes de uma cimeira crucial em Pequim entre os Presidentes Donald Trump e Xi Jinping. Durante a visita de Trump à China espera-se que ambos os líderes demonstrem cordialidade. Mas, qualquer boa relação pode não diminuir a concorrência tecnológica. Kyle Chan, especialista do think tank norte-americano Brookings Institution, afirmou que as empresas chinesas de IA, sobretudo as startups, não têm acesso à escala computacional disponível para os concorrentes americanos. Isto deve-se aos controlos de exportação dos EUA sobre os chips de IA de ponta, ao desempenho e disponibilidade inferiores das alternativas de chips chineses e ao acesso muito menor a capital face aos seus pares americanos. Isto sublinha a contínua dependência da China em relação aos semicondutores de ponta e às ferramentas necessárias para os fabricar – área que continua a ser uma vulnerabilidade crucial e um ponto de fricção para Pequim. Nicholas Wright, especialista em tecnologia do think tank americano Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, afirmou que os EUA constroem os melhores carros de corrida, enquanto a China constrói os melhores sedans familiares, a preços acessíveis. “Qual é melhor depende do que se está a tentar fazer. A vantagem dos EUA na investigação de ponta em IA e o enorme investimento em infra-estruturas de IA tornam-nos um pouco mais fortes no geral neste momento”, comentou. O hardware continua a ser uma grande limitação para a China, embora esteja a recuperar lenta mas firmemente, observou. “A China pode mesmo ultrapassar os EUA se alguma nova tecnologia tornar os GPU, área em que os projectistas americanos se destacam, menos essenciais para a IA”, disse. As GPU, ou unidades de processamento gráfico, são essenciais para treinar modelos avançados de IA. Embora Trump tenha aprovado a venda dos chips de IA H200 da Nvidia à China no final de 2025, o Secretário do Comércio dos EUA, Howard Lutnick, afirmou em Abril que nenhuma empresa chinesa os tinha ainda comprado, porque o governo chinês estava “a tentar manter os seus investimentos focados na própria indústria doméstica”. No final de Abril, a startup chinesa DeepSeek lançou um novo modelo de IA – o primeiro optimizado para chips e software de IA da Huawei – como parte dos esforços para desenvolver uma alternativa à tecnologia da Nvidia. Com os modelos de IA chineses, como o da DeepSeek, a apenas alguns meses dos principais dos EUA, a Casa Branca acusou Pequim, em Abril, de conduzir uma campanha à “escala industrial” para explorar a tecnologia desenvolvida pelas empresas americanas. À medida que Washington intensifica os controlos de exportação, Pequim respondeu em duas frentes: acelerando as alternativas internas e expandindo as ferramentas legais que pode utilizar contra restrições estrangeiras. A 7 de Abril, a China anunciou novas regras para garantir a “segurança industrial e da cadeia de abastecimento”, que permitem contramedidas contra “restrições discriminatórias” impostas por governos estrangeiros, especialmente em tecnologias críticas. Um analista questionava-se sobre qual o país que poderá destacar-se num futuro próximo depende do que desencadear o próximo grande salto na IA. “Acho que é mais provável que venha da ciência americana, mas pode não vir”, disse. Por exemplo, a China irá provavelmente construir muito mais robôs do que os EUA e, se os dados físicos destes robôs se revelarem essenciais para o próximo grande avanço na IA, a China poderá dar um salto em frente, acrescentou.

 

JTM com agências ocidentais