Presidente de Moçambique, Daniel Chapo (E), acompanhado pelo presidente da TotalEnergies, Patrick Pouyanné (D), visitam construção do complexo de produção de gás natural liquefeito (GNL) em Afungi, Cabo Delgado, na retoma do projeto de 20 mil milhões de dólares quase cinco anos após a suspensão devido aos ataques terroristas, Moçambique, 29 de janeiro de 2026. PAULO JULIÃO/LUSA
Presidente de Moçambique, Daniel Chapo (E), acompanhado pelo presidente da TotalEnergies, Patrick Pouyanné (D), visitam construção do complexo de produção de gás natural liquefeito (GNL) em Afungi, Cabo Delgado, na retoma do projeto de 20 mil milhões de dólares quase cinco anos após a suspensão devido aos ataques terroristas, Moçambique, 29 de janeiro de 2026. PAULO JULIÃO/LUSA

O Presidente moçambicano classificou como símbolo de “resiliência, coragem e determinação” a retoma do megaprojecto de Gás Natural Liquefeito (GNL) da TolalEnergies em Cabo Delgado, suspenso há quase cinco anos devido a ataques terroristas. “Hoje é dia de festa para Moçambique, para África e para o mundo”, disse Daniel Chapo, recordando a importância do projecto Mozambique LNG, “um dos maiores” de produção de GNL no continente, e sublinhando a “retoma efectiva, total e completa” do projecto, com previsão de início de exportação em 2029.

Após visitar a retoma formal das obras junto à bacia de Afungi, na presença do presidente da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, o chefe de Estado sublinhou que mais do que o reinício de obras, “representa a vitória, resiliência, coragem e determinação do povo moçambicano perante as adversidades” e enalteceu o processo exemplar de reassentamento das populações afectadas. Destacou mesmo que é o “início de uma nova fase para Cabo Delgado e para Moçambique”.

Chapo recordou que só em receitas para o Estado, o Mozambique LNG vai contribuir com 35 mil milhões de dólares ao longo de 25 anos, implicando 17.000 postos de trabalho na fase de construção, actualmente já com mais de 4.000 nas instalações, sendo 80% dos quais moçambicanos. Trata-se de um projeto avaliado em 20 mil milhões de dólares com capacidade para produzir 13 milhões de toneladas por ano (mtpa) a partir da bacia ‘offshore’ do Rovuma.

“A ‘força maior’ acabou”, disse por sua vez Patrick Pouyanné, na mesma intervenção, sublinhando tratar-se do maior investimento da TotalEnergies em África, acrescentando: “Como diz o Presidente, ‘vamos trabalhar’”.

“Mas é imperativo pensar primeiro na segurança”, apontou o presidente da TotalEnergies, sendo que todo o complexo está envolvido actualmente sob fortes medidas de segurança, com a previsão de criação da nova cidade de Afungi, que na prática só está acessível por transportes aéreo e marítimo, por questões de segurança.

Daniel Chapo e Patrick Pouyanné visitaram a retoma da construção do complexo de produção de GNL em Afungi, distrito de Palma, Cabo Delgado, marcando o regresso do projecto.

“Enquanto decorre o processo de apuramento de custos, o projecto não para”, saudou Chapo, aludindo ao acordo com a TotalEnergies para retomar os trabalhos enquanto são avaliados os custos inerentes ao período de paragem.

O projecto de produção e exportação de GNL na baía de Afungi estava suspenso desde Abril de 2021, quando a TotalEnergies accionou a cláusula de ‘força maior’ devido aos ataques terroristas. Em outubro de 2025, após reconfirmado o financiamento internacional ao projecto e alegando melhorias das condições de segurança na zona, a TotalEnergies, líder do consórcio da Área 1 da Bacia do Rovuma, levantou a cláusula e iniciou o processo de retoma.

O Governo moçambicano determinou a obrigatoriedade de uma auditoria independente aos custos incorridos pelo projeto durante o período da ‘força maior’. Ficou ainda definido que o período de quatro anos e meio de ‘força maior’ não conta para o tempo da concessão, apesar de a TotalEnergies ter proposto formalmente a sua extensão por mais de 10 anos, para compensação dos prejuízos alegados de 4.500 milhões de dólares desde 2021.

A TotalEnergies indica que a primeira entrega de GNL da primeira linha a instalar em Afungi passou de Julho de 2024, como estava previsto antes da paragem, para o primeiro semestre de 2029.

Moçambique tem três megaprojectos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de GNL da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo da costa de Cabo Delgado, incluindo este da TotalEnergies e outro da ExxonMobil (18 mtpa), de 30 mil milhões de dólares que aguarda decisão final de investimento, ambos na península de Afungi. Soma-se o da italina Eni, que já produz desde 2022, cerca de sete mtpa, a partir da plataforma flutuante Coral Sul, que será duplicada a partir de 2028 com a segunda plataforma Coral Norte, num investimento de 7,2 mil milhões de dólares.