Os republicanos estão mais pessimistas em relação ao rumo dos Estados Unidos do que em qualquer outro momento da presidência de Donald Trump, no momento em que uma série de crises – pandemia de coronavírus, desaceleração económica, protestos contra racismo e brutalidade policial – atinge a sua administração

 

Apenas 46% dos norte-americanos que se identificam como republicanos dizem que o país está no caminho certo, segundo sondagem da Reuters/Ipsos conduzida na semana passada.

É a primeira vez que esse número ficou tão baixo desde Agosto de 2017, quando protestos organizados por supremacistas brancos em Charlottesville, Virginia, levou a conflitos violentos.

No começo de Março, antes do novo coronavírus impor quarentena ao longo do país, por volta de 70% dos republicanos mostravam-se optimistas sobre o caminho seguido pelo país com a liderança do actual presidente.

Agora, entre republicanos, 37% dizem que o país está no caminho errado; 17% deles disseram mesmo que votariam em Biden se as eleições fossem agora, enquanto 63% ainda planeiam votar em Trump.

Numa eleição em que a maioria dos analistas acredita que será decidida por um punhado de Estados, como Michigan, Pensilvânia e Carolina do Norte, faltas de comparência de republicanos pode colocar em risco as hipóteses de Trump.

“Deve provavelmente ser preocupante para o presidente, embora seja razoável dizer que ele mantém um forte apoio entre republicanos”, afirmou Kyle Kondik, analista eleitoral da Universidade da Virginia.

Republicanos acreditam que uma recuperação económica durante o Outono irá reforçar as suas hipóteses. O relatório de emprego de sexta-feira mostrou que mais de 2,5 milhões de postos de trabalho foram acrescentados no último mês, durante o grosso da pandemia de coronavírus. Trump comemorou os ganhos como “a maior mudança da história dos Estados Unidos”, embora os analistas considerem que “nesta altura não faz sentido cantar vitória ”.

 

Colin Powell anuncia apoio a Joe Biden

O antigo secretário de Estado norte-americano Colin Powell anunciou o seu apoio ao democrata Joe Biden nas eleições presidenciais nos Estados Unidos, e expôs as “mentiras” do atual chefe de Estado, Donald Trump. “Não pude votar nele [em 2016] e, certamente, não posso apoiar o Presidente Trump este ano”, declarou à CNN, indicando explicitamente que irá votar em Joe Biden. Colin Powell foi o primeiro afro-americano a ocupar o cargo de chefe do Estado-Maior, antes de chefiar a diplomacia norte-americana durante o mandato de George W. Bush. Crítico de Donald Trump, nas presidenciais de 2016 apoiou a candidata Hillary Clinton. “Temos uma Constituição, devemos respeitar a Constituição. E o Presidente não a seguiu”, referiu Colin Powell. Salientando que jamais utilizaria a mesma palavra para algum dos quatro Presidentes com quem trabalhou, o antigo secretário de Estado de George W. Bush disse claramente que Donald Trump “mente”. “Ele mente o tempo todo”, disse, apelando aos americanos para reflectirem sobre o seu impacto no país e no mundo. “Pensem, usem o bom senso, façam a vós mesmos a pergunta: é bom para o meu país?”, acrescentou.

 

JTM com agências internacionais