Há meses que a China tem vindo a alertar que a Primeira-Ministra (PM) japonesa está determinada a reavivar o militarismo no seu país, depois das declarações de Sanae Takaichi sobre Taiwan, em Novembro, terem irritado Pequim. Na pior disputa entre os dois países em décadas, Pequim fez protestos diplomáticos, anunciou restrições às viagens e sinalizou disponibilidade para reduzir as exportações de terras raras. Mas, na eleição antecipada de domingo, o Partido Liberal Democrático (PLD) de Takaichi conquistou uma super-maioria de dois terços na Câmara dos Representantes – um sinal da sua popularidade e uma repreensão implícita a Pequim, que viu os resultados como um sinal de uma viragem à direita na política japonesa. Takaichi procurava um mandato para a sua agenda política, que inclui acelerar as despesas com a defesa e rever a Constituição para que as Forças de Autodefesa sejam formalmente reconhecidas como uma força militar. Após a vitória eleitoral, a PM afirmou que manterá os canais de comunicação abertos com Pequim e defendeu a importância da troca de opiniões com o seu vizinho. A China respondeu ontem, frisando que a comunicação com o Japão deve ser baseada no “respeito” e na “adesão ao consenso”, e alertou que um “diálogo genuíno” não pode ser construído mantendo posições que, segundo Pequim, constituem um confronto. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Lin Jian, declarou que se o Japão quer desenvolver uma relação estratégica mutuamente benéfica com a China, o caminho a seguir é “claro e simples”: retirar as declarações “erróneas em relação a Taiwan”, respeitar os documentos e compromissos políticos assumidos por Tóquio, demonstrando “sinceridade” através de acções concretas. O professor Wang Dong, director do Instituto para a Cooperação e Compreensão Global da Universidade de Pequim, mostrou-se pessimista sobre as perspectivas das relações bilaterais, admitindo que Takaichi poderá interpretar a sua vitória como uma licença para adoptar uma postura mais confrontacional em relação à China. Poderá também procurar enfatizar ainda mais o papel do Japão na aliança com Washington, disse, ressalvando, porém, que a PM poderá não encontrar apoio suficiente, tanto interno como internacional, para manter uma postura tão agressiva. “Em primeiro lugar, a população japonesa exige que aborde questões internas – revitalizando a economia do Japão – em vez de seguir uma agenda anti-China”, observou. Além disso, “a disparidade estrutural de poder entre a China e o Japão está cada vez mais inclinada a favor de Pequim”, disse o académico, acrescentando que Takaichi teria dificuldade em forjar alianças anti-China com países ocidentais, muitos dos quais enfatizam a importância de boas relações com Pequim.
JTM com agências internacionais



