O primeiro mandato do Primeiro-Ministro (PM) Anwar Ibrahim ainda não terminou, mas os aspirantes à sucessão na Malásia já se preparam para a batalha que se avizinha. Datuk Seri Anwar está apenas no terceiro dos cinco anos de mandato, mas a corrida para lhe suceder – ou destituí-lo – já está ao rubro. Os rumores sobre eleições antecipadas, bem antes do prazo de Fevereiro de 2028, estão a intensificar-se de dia para dia. Na coligação Perikatan Nasional (PN), da oposição, o chefe do governo de Terengganu, Samsuri Mokhtar, emergiu como um outsider que se tornou favorito após a sua coligação ter conquistado todos os 32 lugares estaduais em 2023. Depois do vice-presidente do Parti Islam SeMalaysia (PAS) ter assumido a presidência da PN em Fevereiro, foi também nomeado líder da oposição parlamentar a 16 de Maio, substituindo Datuk Seri Hamzah Zainudin. Porém, Hamzah, demitido do Parti Pribumi Bersatu Malaysia enquanto era vice-presidente, não perde tempo e está a manobrar para afastar o ex-PM Muhyiddin Yassin como principal aliado do PAS na coligação PN. Do lado de Anwar, acumulam-se nuvens de tempestade. Enfrenta resistência do seu principal aliado, o UMNO, bem como de líderes da própria coligação, o Pakatan Harapan (PH). E se Anwar vencer as 16ª eleições gerais, a distância da escalada só aumentará. O seu governo procura limitar o mandato do PM a 10 anos até Julho, após uma tentativa em Março que ficou a apenas dois votos de distância, devido à ausência de oito deputados do governo. Isto significa que a Malásia precisará de um 11º PM após o fim do próximo mandato de cinco anos. Contudo, conquistar o cargo mais alto não se resume a quem está mais perto do topo. Num sistema dependente de coligações, com um largo espectro de eleitores a agradar, o verdadeiro prémio vai para quem se apresentar como a escolha mais aceitável para ser levado aos ombros de outros líderes. O mais favorito parece ser Datuk Seri Samsuri Mokhtar, do PAS. Até agora, todos os candidatos a PM que assumiram o poder após uma eleição eram chefes de coligação. Embora não seja formalmente nomeado como candidato a Primeiro-Ministro da PN ou mesmo do PAS, ser presidente do principal pacto da oposição e ocupar o cargo de líder da oposição no Parlamento coloca-o numa posição privilegiada. O Partido Islâmico tem de assumir uma imagem renovada, menos clerical e mais consensual e as sociedades islâmicas em várias partes do mundo, estabeleceram-se com muitas promessas, mas não conseguiram avançar em vários aspectos sociais, em especial sobre a posição das mulheres nas sociedades. Anwar Ibrahim, por outro lado, é um adversário muito experiente, e dará grande luta até ao fim. Até agora não se lhe apontam grandes erros, a não ser o não agregar a sociedade malaia muito dividida em termos partidários, geográficos, culturais e mesmo raciais que muitas vezes representam figuras com mais implantação estadual ou regional. E num país de mais de 40 milhões de habitantes, nos seus 13 Estados e três territórios federais, tudo pode acontecer…

 

JTM com agências internacionais