O Partido Pessoas, Trabalho e Solidariedade (PTS) quer chegar ao parlamento cabo-verdiano e afirmar-se como alternativa, defendendo maior presença de jovens na Assembleia Nacional e nos cargos de decisão para combater desigualdades.

“A candidatura do PTS representa uma alternativa jovem, responsável e preparada para responder aos desafios que o país enfrenta, colocando no centro da acção política a dignidade humana, o trabalho digno, a justiça social e a solidariedade nacional”, disse, em entrevista à agência Lusa, a presidente do partido, Jónica Brito.

Sem representação parlamentar, o PTS avança com candidaturas em seis dos 13 círculos eleitorais – três no território nacional e três na diáspora -, sob o lema “Cabo Verde no Coração”, propondo “quebrar o bipartidarismo” que, segundo a líder, tem “sufocado o debate político” e afastado o foco dos problemas reais do país.

“É uma candidatura que entende que a liberdade e a democracia não podem permanecer apenas no plano do discurso e dos indicadores, devendo traduzir-se em oportunidades concretas, instituições credíveis, serviços públicos de qualidade e respeito efectivo pela vida quotidiana das famílias cabo-verdianas”, acrescentou.

O compromisso político, segundo a responsável, passa por governar para as pessoas, valorizar o trabalho e reconstruir a solidariedade como base de uma república mais justa, inclusiva e próxima dos cidadãos.

“A maioria da população cabo-verdiana é jovem, mas essa realidade não se reflecte nos cargos de decisão”, referiu. Jónica Brito disse ainda que a percentagem de jovens em posições de decisão é “praticamente nula”.

“No parlamento, os deputados com menos de 40 anos não chegam a 3%. Queremos restabelecer essa proximidade com a juventude e dar voz a uma maioria que tem sido ignorada”, afirmou.

O PTS defende maior inclusão da juventude, bem como políticas dirigidas a mulheres, famílias monoparentais e trabalhadores do sector informal, argumentando que estas camadas têm sido “sistematicamente ignoradas”.

Na política interna, assume-se como força de centro-esquerda e defende um papel mais interventivo do Estado na economia, sobretudo no combate às desigualdades sociais e à pobreza. A inflação, o aumento da pobreza extrema e as dificuldades de acesso à habitação condigna são apontados como prioridades a abordar.

“Há famílias a viver em barracas, sem saneamento, o que já não é apenas uma questão de urbanização, mas também de saúde pública”, alertou.

Uma das prioridades do PTS “é a habitação, que não deve ser tratada como um tema de campanha ou uma medida pontual”, disse, defendendo a definição de metas concretas para erradicar habitações precárias até 2030.

O partido considera ainda que a economia cabo-verdiana está excessivamente dependente do turismo e defende a sua diversificação, com aposta na agricultura, pecuária e indústria nacional. “Temos de produzir mais e reduzir a dependência externa”, afirmou, propondo incentivos como créditos agrícolas, sobretudo para jovens.

O PTS critica também o aproveitamento limitado dos recursos marítimos, considerando que os benefícios não têm chegado à população.

Num país marcado historicamente pela emigração, o partido quer criar condições para fixar jovens e incentivar o regresso de emigrantes. Entre as propostas, estão a redução da burocracia e benefícios fiscais para investidores nacionais, colocando-os “em pé de igualdade com o investidor estrangeiro”.

Na política externa, o PTS defende uma maior aproximação ao continente africano, considerando que Cabo Verde deve reforçar a sua integração regional. “Acreditamos que todos os parceiros são importantes, mas devemos diversificar e reforçar a ligação ao continente africano”, afirmou.

A líder do PTS considerou que os últimos anos de governação agravaram as desigualdades sociais, apontando uma contradição entre crescimento económico e aumento da pobreza.

O PTS, fundado em 2001, apresenta-se como uma alternativa ao modelo bipartidário dominado pelo Movimento para a Democracia (MpD), no poder desde 2016, e pelo Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), principal força da oposição que ambiciona regressar ao poder.

 

JTM com R.S. da agência Lusa