Os chefes de Estado de Cabo Verde, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste vão estar presentes na tomada de posse, esta segunda-feira, de António José Seguro como Presidente da República portuguesa. Segundo informações obtidas pela agência Lusa, José Maria Neves, de Cabo Verde, Daniel Chapo, de Moçambique, Carlos Vila Nova, de São Tomé e Príncipe, e José Ramos-Horta, de Timor-Leste, estarão em Lisboa para as cerimónias oficiais da tomada de posse de Seguro que venceu, na segunda volta, o escrutínio eleitoral com mais de 3,5 milhões de votos, um número recorde. O Presidente brasileiro, Inácio Lula da Silva, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, não poderão estar presentes pois, precisamente dia 09, irão receber, na capital Brasília, o chefe de Estado sul-africano, Cyril Ramaphosa, anunciaram à Lusa fontes do ministério. Embora não estando presente, como outros chefes de Estado lusófonos o Presidente brasileiro saudou a vitória de António José Seguro, logo no dia da eleição, afirmando que representa “a vitória da democracia” e afirmou que o Brasil continuará a trabalhar “em parceria” pelo “fortalecimento das relações bilaterais históricas”. O chefe de Estado cabo-verdiano também felicitou, nesse dia, António José Seguro pela sua vitória e referiu que o povo português, apesar de todas as tempestades, “acorreu às urnas e votou esmagadoramente no republicanismo e na democracia”. O dirigente angolano, João Lourenço, sublinhou que os portugueses “fizeram uma aposta segura” na relação de Portugal com o mundo, o que garante perspectivas promissoras para o futuro dos dois países. O Presidente moçambicano saudou a eleição de Seguro, antevendo o reforço das relações entre os dois países. O Presidente são-tomense afirmou-se convicto que a eleição contribuirá para o fortalecimento das relações históricas entre os dois países e povos. O chefe de Estado de Timor-Leste, José Ramos-Horta, também felicitou Seguro e salientou que o resultado reafirma o compromisso de Portugal com os valores da democracia, liberdade e Estado de Direito.
Conselho Superior de Defesa são-tomense aprova novas chefias das Forças Armadas
O Conselho Superior de Defesa são-tomense aprovou as novas chefias para o exército, a marinha e o inspector-geral das Forças Armadas, após reunião presidida pelo Presidente da República, Carlos Vila Nova. Segundo o porta-voz da reunião, Virgílio Mandinga, para comandante do exército foi aprovado o nome do major Monte Verde, para a Marinha (Guarda Costeira), o capitão Hamilton de Sousa e para Inspector-Geral das Forças Armadas, o tenente-coronel Cosme da Mota. “São medidas que visam repor o funcionamento normal das instituições militares sem representar em grande parte os encargos financeiros uma vez que muitos desses oficiais já auferem salários compatíveis com os postos que estão indicados”, disse Virgílio Mandinga na leitura do comunicado, sem direito a perguntas. Os novos elementos indicados pelo Governo assumirão os postos vagos desde 20 de Dezembro do ano passado, quando o Conselho de Defesa suspendeu o anterior comandante da Guarda Costeira, Armindo Rodrigues, e o então inspector-geral das FASTP, José Marias de Menezes arguidos no processo de 25 de Novembro de 2022, em que quatro homens foram torturados e mortos, após uma invasão ao quartel que o tribunal considerou de golpe de Estado. O Conselho Superior decidiu, na altura, pela “manutenção” das “regalias de direito” dos dois arguidos suspensos. Com a nomeação dos novos comandantes dos ramos, fica em aberto a nomeação do vice-chefe do Estado Maior das Forças Armadas que se encontra vago desde Julho de 2023, após a saída de Armindo Rodrigues quando assumiu o cargo de comandante da Guarda Costeira.
Família de opositor na Guiné-Bissau denuncia “sequestro”
A família do presidente eleito do parlamento da Guiné-Bissau e actual opositor, Domingos Simões Pereira, voltou a pedir à comunidade internacional pressão para a libertação do político, quando se cumprem 100 dias “desde o sequestro”. “Hoje, 6 de Março de 2026, completam-se 100 dias desde o sequestro de Domingos Simões Pereira, cidadão guineense, Presidente da Assembleia Nacional Popular e Presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), ocorrido a 26 de Novembro de 2025”, dizem numa missiva enviada à Lusa. A família do político guineense afirma que “este acto arbitrário foi cometido por indivíduos sem qualquer legitimidade, legal, popular, partidária ou constitucional, em representação do auto-intitulado ‘Alto Comando Militar’”. No texto, assinado pela família de Simões Pereira, lê-se que o político “encontra-se confinado à sua residência, sob vigilância permanente de mais de 50 homens fortemente armados, numa tentativa de o silenciar, impedir de exercer os seus direitos fundamentais e isolar do contacto com a família, amigos e com o Povo que legitimamente representa na Assembleia Nacional Popular”. Simões Pereira foi detido a 26 de Novembro na sequência de um golpe de Estado protagonizado por militares, em vésperas da publicação dos resultados provisórios de eleições legislativas e presidenciais de 23 de Novembro. A família do político apela novamente “à comunidade internacional, em particular à CEDEAO, União Africana, CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), União Europeia e Nações Unidas, para que sejam implementadas as acções constantes das resoluções já aprovadas”. Os militares tomaram o poder na Guiné-Bissau a 26 de Novembro de 2025, um dia antes da divulgação dos resultados oficiais das eleições gerais, presidenciais e legislativas, de 23 de Novembro, em que o candidato da oposição, Fernando Dias, reclamou vitória sobre o Presidente cessante e candidato a um segundo mandato, Umaro Sissoco Embaló. O país foi suspenso de todas as organizações internacionais de que era membro, nomeadamente da CPLP, da CEDEAO e da União Africana.
Passageiros proibidos em viaturas pesadas após acidente com 15 mortos
As autoridades moçambicanas suspenderam o transporte de passageiros em viaturas pesadas por razões de segurança rodoviária no distrito da Marávia, após um acidente que deixou 15 mortos e 17 feridos na província de Tete, centro do país. “O transporte de mercadoria deve transportar apenas mercadoria (…) esse camião que acidentou, se não fosse aquela mercadoria, se calhar poderíamos ter baixas, mas reduzidas, porque o que matou as pessoas, de facto, foi a carga”, disse o administrador do distrito da Marávia, Domingos Jotamo. Ainda assim, Jotamo reconheceu que a população recorre a viaturas de transporte de mercadorias devido à escassez de transporte público de passageiros, provocada pelas péssimas condições das vias e acesso na região onde foi registado o acidente. De acordo com o administrador da Marávia, a suspensão será fiscalizada em coordenação com a Polícia da República de Moçambique (PRM). O Presidente moçambicano apelou à luta de todos para travar acidentes marítimos e rodoviários “evitáveis”, após a morte de 15 pessoas em mais um grave acidente de viação, na quinta-feira, em Tete. “Estamos muito preocupados com acidentes, principalmente rodoviários e marítimos”, disse Daniel Chapo. Moçambique está a lançar a fase piloto na operacionalização do centro de monitoria de contravenções nas estradas, para reduzir o número de acidentes, anunciaram em 5 de Janeiro as autoridades locais. Em 27 de Novembro, Daniel Chapo avisou a polícia de que tem de tomar medidas para travar a sinistralidade rodoviária. Na mesma ocasião, o chefe de Estado apontou que só de Janeiro a Setembro do ano passado foram registados 408 acidentes de viação em todo o país, contra 459 em 2024, que provocaram 662 mortes, quando no mesmo período de 2024 foram contabilizadas 555 vítimas mortais.



