JOÃO CARREIRA*
O Presidente reeleito de São Tomé e Príncipe destacou a “vitória clara” alcançada no domingo e afirmou contar “com todos” para reconstruir o país.

“Aos que fizeram uma escolha diferente, deixou uma palavra muito especial: não os vejo como adversários a vencer, mas como compatriotas com quem construiremos o futuro da nação”, disse Carlos Vila Nova na reacção aos resultados preliminares das eleições presidenciais divulgados pouco antes pela Comissão Eleitoral Nacional (CEN), que lhe deram 55,94% dos votos, contra os 41,92% do principal adversário, Nito d’Abreu.
Os outros dois candidatos não chegaram aos 2%: Eugénio Tiny e Miques João arrecadaram, respectivamente, 1,07% e 1,58%. Voltaram a não contar com qualquer apoio partidário e a sua campanha eleitoral foi praticamente inexistente.
O chefe de Estado, eleito para novo mandato de cinco anos, garantiu que “a partir deste momento não há vencedores nem vencidos” e defendeu que “o país precisa definitivamente de virar a página da divisão, do ressentimento, da perseguição e do discurso do ódio”.
Numa conferência de imprensa na sede da candidatura, Vila Nova assegurou também que “a pacificação social será uma das grandes prioridades do mandato”.
E explicou porquê: “Não haverá desenvolvimento económico sem estabilidade social, não haverá progresso sem unidade social. Estenderei a mão a todas as forças políticas, às Igrejas, aos jovens, às mulheres, aos trabalhadores, aos empresários, à diáspora e à sociedade civil”.
Antes, afirmara que recebia “a indicação com humildade e responsabilidade” e saudou o que a convicção já o fizera adivinhar: “O nosso povo voltou a demonstrar que São Tomé e Príncipe sabe resolver as suas diferenças pelo poder do voto e nunca pela força da violência”.
Razão pela qual, enfatizou, promete avançar para um novo mandato “com o habitual respeito pela Constituição”, com um “compromisso renovado”.
Mais de 142 mil eleitores foram chamados a escolher o Presidente, numas eleições marcadas pela crispação política, mas sem registo de incidentes de maior.
Carlos Vila Nova, que não contou agora com o apoio oficial da Acção Democrática Independente (ADI), recandidatou-se suportado por uma plataforma que incluiu o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), o Movimento Basta, a União para Democracia e Desenvolvimento (UDD), o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM), Partido de Convergência Democrática (PCD) e Partido Nossa Terra. E também de uma ala da oposição da própria ADI.
Nito d’Abreu, líder parlamentar da ADI, foi o candidato oficial, apoiado pela ala da ADI leal ao ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada, cujo Governo foi demitido em Janeiro de 2025 pelo chefe de Estado, Carlos Vila Nova.
Contou com o apoio de uma plataforma eleitoral que inclui também o Movimento de Cidadãos Independentes – Partido Socialista (MCI – Partido Socialista), Partido de Unidade Nacional (PUN) e Movimento Verde para o Desenvolvimento do Príncipe (MVDP).
*Enviado especial da agência Lusa



