O Presidente angolano, João Lourenço, inaugurou o Parque Solar Fotovoltaico do Luau, infra-estrutura que congrega 54.912 painéis, que visa electrificar 20.573 casas e beneficiar 94.000 habitantes da província do Moxico, e prometeu electrificar todo o país. Instalado numa área de 60 hectares, com uma potência instalada de 31,85 megawatts e 79 megawatts de potência de armazenamento, o parque do Luau faz parte do projecto “Angola Energia 2025” que contempla a electrificação até 2027 de 60 localidades rurais das províncias do Bié, Malanje, Lunda Norte, Lunda Sul, Moxico e Moxico Leste.

Segundo as autoridades, trata-se de um dos maiores programas públicos de energias renováveis da África subsaariana, com a execução a cargo do Grupo MCA e financiamento do Standard Chartered Bank e da Euler Hermes, num investimento global de 1,027 mil milhões de euros.

Na segunda-feira, sob um sol abrasador, João Loureço fez o corte da fita inaugural, activou o botão que marcou o início da produção energética, visitou a central de armazenamento de energia e circulou também pelo parque. Aos jornalistas, destacou as valências da infra-estrutura para a localidade do Luau, região que faz parte do circuito ferroviário do Corredor do Lobito e fronteiriça com a República Democrática do Congo, tendo assegurado que o seu governo vai continuar a fazer investimentos para o desenvolvimento do país.

“O executivo angolano tem feito um grande investimento no aumento da oferta de dois bens essenciais à vida das pessoas e ao desenvolvimento do país: aumento da oferta de água potável e da energia eléctrica, porque a energia representa o desenvolvimento de qualquer país”, referiu.

De acordo com João Lourenço, que falava à imprensa no final da visita ao parque fotovoltaico, os referidos investimentos visam garantir saúde às populações para o consequente desenvolvimento de Angola “a uma velocidade satisfatória nos próximos anos”.

“Não pode haver economia sem energia, não pode haver indústria sem energia e nós queremos atrair mais investimento, sobretudo, no sector da indústria transformadora para transformar os bens que a agricultura produz”, disse.

Segundo João Lourenço, “essa tendência [de investimentos no sector energético] vai continuar a nível das 21 províncias do país e hoje, por maioria de razão”, tendo em conta “o momento em que os combustíveis fósseis estão por um lado escassos e, por outro lado, cada vez mais caros”. “O investimento em fontes alternativas, que é o caso da energia solar, faz todo o sentido”, realçou.

Para o chefe de Estado, onde a energia da rede nacional não chegar o seu governo vai encontrar como alternativas parques solares, “sobretudo estes da última geração, que já contemplam o armazenamento da energia produzido durante o dia e que possa ser consumida 24/24 horas”.

O Presidente assinalou também que o esforço do executivo de Angola “será de levar a energia em todo o país, não importa a fonte, se é de energia hidroeléctrica, se é de energia térmica ou se é energia fotovoltaica”.

João Lourenço exortou ainda as famílias, comunidades locais e as autoridades tradicionais a preservarem os parques fotovoltaicos em construção no país e, ao mesmo tempo, a denunciaram quaisquer actos de vandalismo de um bem “económico e estratégico” que surge para o benefício colectivo.

Lourenço, que também visitou algumas infra-estruturas rodoviárias, sobretudo as obras de asfaltagem que decorrem nas estradas nacionais 190 e 250 (região leste de Angola), frisou que o seu Governo “está a realizar o sonho de alargar a rede rodoviária nacional”. Garantiu ainda que será construída uma estrada paralela à linha ferroviária do Corredor do Lobito, que deve partir do Lobito (litoral) até ao Lau, província do Moxico Leste.

 

JTM com Lusa