O Presidente angolano, João Lourenço, foi vaiado, no estádio 11 de Novembro, pelos adeptos angolanos, antes do início do particular entre Angola e Argentina, após deslocar-se à relva para saudar os atletas e a equipa de arbitragem. O protesto ocorreu num estádio com capacidade para 50 mil pessoas e quase lotado, num momento em que os angolanos protestam contra o elevado custo de vida em Angola e várias vozes se insurgiram contra os custos estimados para o jogo particular. O jogo inserido nas comemorações dos 50 anos da independência de Angola tem estado envolto em polémica devido aos custos, estimando-se que a Argentina receba cerca de 12 milhões de euros. Sensibilidades políticas e organizações da sociedade civil angolana, que se opõem à realização do jogo, denunciaram que, aos 12 milhões de euros, se somam os custos de viagem, hospedagem e segurança de mais de 80 pessoas da comitiva argentina, podendo os custos chegar aos 20 milhões de euros. O Governo angolano, que não revelou os valores oficiais, limitou-se a desmentir essas informações, referindo que os custos vão ser assegurados por três empresários angolanos.
Pensionistas querem aumento e Governo admite avaliar em 2026
Mais de cinco mil reformados são-tomenses querem aumento da pensão actual, de cerca de 48 euros mensais, ou outros apoios do Governo, alegando que estão “numa situação muito difícil”, mas o executivo admite avaliar a situação apenas em 2026. “Nós, os idosos, não temos acesso a medicamentos, não temos nada. Recebemos 1.200 dobras […] Que situação é esta em que estamos a viver? Apelamos ao Governo que olhe por nós”, lamentou o vice-presidente do grupo de reformados, José Silva, em declarações à Lusa. José Silva sublinhou que o grupo é composto por pessoas que deram muitos contributos ao país, antes e após a independência, por isso, merecem melhores apoios. “Queremos que o Governo veja a nossa situação, que está mal”, apelou. Segundo os pensionistas, as pessoas com mais de 65 anos têm direito a consultas grátis no sistema nacional de saúde, mas não tem sido suficiente, por isso, apelam por outros apoios, nomeadamente cabazes alimentícios, isenção na compra de medicamentos e isenção no pagamento das facturas de electricidade. O secretário da comissão do grupo de reformados, Armindo Duarte, acrescentou que muitos têm menores a seu cargo e enfrentam dificuldades para garantir o sustento das famílias. “Estamos numa situação muito difícil e dura. Demos tanto, trabalhámos, formámos crianças que hoje são doutores, ministros, e agora somos colocados neste inferno, onde ganhamos 1.200 dobras e gastamos cerca de 40 dobras por dia, o que nem chega para comer”, lamentou Armindo Duarte. Segundo Duarte, o ministro das Finanças, Gareth Guadalupe, comprometeu-se, durante uma reunião com representantes do grupo, a levar a questão ao Conselho de Ministros para análise. “O actual Governo disse que ninguém fica para trás […] estamos a contar com o ministro das Finanças porque ele disse que será o nosso advogado”, sublinhou, Armindo Duarte. Os pensionistas alertaram que, caso não sejam tomadas medidas concretas, irão mobilizar os reformados a absterem-se de votar nas eleições de 2026 como forma de protesto. O director do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), Gilmar Benguela, disse à Lusa que esta instituição e o ministro da tutela compreendem as inquietações dos reformados e já analisaram o assunto com a comissão, admitindo que o valor da pensão não satisfaz o custo de vida actual. Gilmar Benguela sublinhou que, “em menos de dois anos, a Segurança Social fez uma actualização de pensão de quase 50%”, precisando que em 2023 o valor era 800 dobras, subindo para 1.000 em 2024 e, em Janeiro, actualizou-se para 1.200. É natural que o valor continua a ser baixo”, admitiu, sublinhando que não se deve ignorar que “o valor da pensão normalmente tem correspondência” com o valor que se auferiu ao longo da vida laboral. Contudo, Gilmar Benguela adiantou que “a Segurança Social está a trabalhar no sentido de fazer uma proposta de [aumento da] pensão para o Governo para o ano 2026”. Além disso, sublinhou que tem havido alguma frequência na atribuição de subsídio de Natal aos pensionistas, e o apoio deverá repetir-se também neste ano.
Cabo Verde condena 22 pessoas em caso de tráfico de droga e lavagem de capitais
O Tribunal de São Vicente, em Cabo Verde, condenou 22 pessoas, uma delas a 20 anos de prisão, por crimes relacionados com tráfico de droga e branqueamento de capitais, anunciou o Ministério Público do arquipélago. O chamado “Caso Epicentro” foi julgado entre Setembro e Outubro, depois do desmantelamento de uma rede criminosa, em Junho de 2024, classificada pela Polícia Judiciária cabo-verdiana como “um dos mais relevantes circuitos de venda de drogas da ilha”. O arguido de 37 anos, líder do grupo, recebeu a pena mais pesada, 20 anos de prisão, pelos crimes de tráfico de estupefacientes, lavagem de capitais, associação criminosa, entre outros, detalhou a Procuradoria-Geral da República de Cabo Verde, em comunicado. Houve ainda uma arguida condenada a 16 anos e outros dois com penas de 14 anos, todos com 38 anos de idade. O resto das penas (que sancionam também um advogado) variam entre seis e 13 anos, havendo cinco mais reduzidas que foram declaradas suspensas, enquanto outros cinco arguidos foram absolvidos. As idades dos condenados a prisão efectiva variam entre 24 e 60 anos. A “Operação Epicentro” implicou o cerco total da zona de Campim, na ilha de São Vicente, durante uma operação realizada em Junho de 2024 por dezenas de inspectores da PJ, com apoio da Polícia Nacional e Forças Armadas. Na altura, foram feitas várias detenções e foi apreendida cocaína, haxixe e canábis, além de viaturas, electrodomésticos e dinheiro. A operação fez parte das acções regulares das autoridades cabo-verdianas no combate ao tráfico de estupefacientes, incluindo acções internacionais. Em 2024, forças de segurança de vários países apreenderam 1,6 toneladas de cocaína em Cabo Verde, avaliadas em 50 milhões de dólares, numa operação contra o narcotráfico na África Ocidental, que ocorreu entre Outubro e Novembro.
Elefante invade sede distrital de Tete e cria pânico entre a população
Um elefante invadiu a sede do distrito de Mágoè e criou pânico na província de Tete, centro de Moçambique, quando procurava água face à escassez do recurso na região, disse a administradora local. “Esta situação não tem sido diária, acontece de vez em quando, mas hoje a situação foi extremamente diferente porque o elefante estava mesmo na sede do distrito, passou pela residência oficial [da administradora], então acabou criando um bocadinho mais de agitação”, disse Marlen Sande, administradora do distrito de Mágoè, citada pela comunicação social local. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o elefante, oriundo do Parque Nacional de Mágoè na quinta-feira, a circular entre as residências e, segundo Marlen Sande, o animal procurava água face à escassez no distrito. “Os elefantes têm estado à procura de água e há escassez de água em algumas partes do distrito”, referiu a responsável, acrescentando que decorrem acções para afugentar o elefante. A administradora referiu ainda que foram colocadas coleiras em algumas manadas de elefantes e vedados campos agrícolas em Mágoè para reduzir os conflitos entre as comunidades e os animais, além de se distribuir colmeias para produção de mel, pois “as abelhas afugentam os elefantes”. “Gostaríamos de dar a conhecer a nossa população de Mágoè que temos estado a fazer muito esforço como forma de mitigar o impacto homem/fauna bravia. É nossa intenção termos os animais muito distantes da nossa comunidade, para que, de facto, a população e as suas culturas não possam sofrer”, concluiu a administradora. Pelo menos 41 pessoas morreram e outras 34 ficaram feridas no primeiro semestre deste ano, vítimas de ataques de animais selvagens em Tete, anunciou em Setembro o director Provincial de Ambiente e Desenvolvimento Territorial, apontando Mágoè como um dos distritos com casos registados.



