O Presidente cabo-verdiano defendeu, na posse do novo Governo, que o país precisa de governantes com a mesma ambição dos Tubarões Azuis, numa alusão ao surpreendente empate da selecção nacional frente a Espanha, no Mundial de futebol.

“Precisamos de Tubarões Azuis em todos os domínios da vida nacional”, em todas as profissões e de “governantes animados pela mesma ambição, pela mesma exigência e pela mesma vontade de superar obstáculos”, referiu José Maria Neves, ao discursar após dar posse ao executivo liderado por Francisco Carvalho. Segundo o chefe de Estado, os Tubarões Azuis mostraram que os limites que “muitas vezes se aceitam como inevitáveis” existem “sobretudo na mente”.
“Se fomos capazes de chegar a este patamar no futebol mundial, porque não aspirar à excelência na educação, na ciência, na tecnologia, na economia azul, na cultura, na administração pública, na inovação e no empreendedorismo”, questionou.
O Presidente apelou ao diálogo, à negociação e à busca conjunta de soluções, com lideranças que devem ser serenas, confiantes e mobilizadoras, capazes de transformar “divergências em convergências”. Defendeu ainda uma reflexão profunda sobre a abstenção por forma a recuperar a participação cívica.
O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) conquistou 90.660 votos (48,04%) nas eleições legislativas de 17 de Maio, o Movimento para a Democracia (MpD) recolheu 84.458 votos (44,75%) e a União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) obteve 9.812 votos (5,2%). Na Assembleia Nacional, os resultados traduziram-se em 37 deputados para o PAICV, 33 para o MpD e dois para a UCID.
O acto eleitoral registou uma abstenção recorde, com mais de metade dos eleitores inscritos a preferirem ficar longe das urnas (taxa de abstenção de 53,5%).
Francisco Carvalho promete “resultados, sem desculpas”
O novo Primeiro-Ministro Francisco Carvalho prometeu trabalho, sem desculpas, para mostrar resultados, no discurso de tomada de posse nos jardins da Presidência da República, na cidade da Praia.
Segundo referiu, “o único caminho é trabalhar, cumprir a palavra dada e honrar os compromissos assumidos perante o povo cabo-verdiano. “O único caminho é produzir resultados, sem desculpas e sem desvios”, disse, ao lado do elenco governamental, após todos serem empossados pelo chefe de Estado.
“É por isso que quero deixar uma mensagem clara aos membros deste novo Governo. Meus companheiros, o trabalho é tudo o que nos espera. Trabalho, trabalho, trabalho”, acrescentou o líder do executivo e presidente do PAICV, vencedor com maioria absoluta das eleições.
Francisco Carvalho disse que os resultados da governação devem surgir, “com as condições” que houver. “Somos todos filhos desta terra, conhecemos a realidade, sabíamos o que nos aguardava. Não haverá espaço para justificações assentes na falta de condições ideais”, rematou, dizendo que só assim se fomenta a confiança dos cidadãos na política e nos políticos.
Os resultados devem seguir um objectivo: “nenhum cabo-verdiano pode ficar para trás”, recuperando o lema de campanha, “Cabo Verde para todos”, disse, defendendo que é possível garantir a satisfação das necessidades básicas de todos os cabo-verdianos e lançar bases para novas respostas estruturais.
No detalhe, reafirmou as apostas no acesso gratuito aos cuidados de saúde, à universidade pública, à formação profissional e a construção de um sistema de transportes acessível. O Primeiro-Ministro quer ainda inverter a “sangria de jovens” que diariamente procuram na emigração as oportunidades que quer que passem a encontrar em casa.
Francisco Carvalho agradeceu a Deus, à família, em especial à esposa Odeth Carvalho, bem como a Janira Hopffer Almada, antiga presidente do PAICV (actual presidente da Assembleia Nacional) por o apoiar internamente a candidatar-se à Câmara da Praia, em 2020, lançando-o no percurso que culminou na tomada de posse como Primeiro-Ministro.
Participaram na cerimónia, que incluiu depois uma sessão de cumprimentos, os representantes de diversas instituições e corpo diplomático, bem como os membros do Governo cessante, do MpD.
No final, em declarações aos jornalistas, Francisco Carvalho justificou que acumula a pasta das Finanças visando “garantir que as grandes prioridades vão continuar a ser as grandes prioridades”. “Fazer com que, de facto, nos mantenhamos alinhados em relação àquilo que prometemos durante a campanha eleitoral, que resultou da avaliação que fizemos à sociedade cabo-verdiana”, referiu.
JTM com Lusa



