O Presidente cabo-verdiano defendeu que o país deve fazer “o trabalho de casa” para enfrentar medidas discriminatórias ou restrições à mobilidade como as anunciadas pelos EUA. “Enquanto país, temos de fazer o nosso trabalho de casa que, neste momento, é fazer tudo para defender os interesses dos cabo-verdianos que vivem em vários países onde há medidas mais restritivas ou discriminatórias em relação aos imigrantes”, referiu José Maria Neves, numa publicação na internet.
Segundo o chefe de Estado, é necessário exercer influência “de modo a que comunidade cabo-verdiana seja bem tratada em todos esses países, sobretudo nos EUA, onde temos uma relação histórica e um contributo forte da comunidade cabo-verdiana para o crescimento e desenvolvimento” desse país.
O Governo cabo-verdiano afirmou na quinta-feira que a “suspensão inesperada” do arquipélago da emissão de vistos de emigração para os EUA compromete gravemente a mobilidade dos cidadãos, já afectada com cauções sobre vistos de negócios ou turismo.
“Num espaço de 15 dias, a actual administração dos EUA tomou duas decisões que afectam de modo grave os cidadãos de Cabo Verde na sua expectativa de mobilidade entre os dois países”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde. José Luís Livramento reiterou que o Governo de Cabo Verde continuará a trabalhar com os EUA para retomar a normalidade na mobilidade o mais rapidamente possível.
Entre as iniciativas em curso está o regresso do Corpo da Paz ao arquipélago para apoiar cidadãos que vão emigrar, com foco no domínio mínimo da língua inglesa e no conhecimento da sociedade americana.
“Não é de agora que o Governo se preocupa com uma boa integração dos cabo-verdianos. Pensamos que esta situação é temporária”, afirmou.
Os EUA têm anunciado novas regras para entrar no país. Em 6 de Janeiro, incluíram Cabo Verde e Angola numa lista de 38 Estados (onde já estavam Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe) cujos cidadãos que viajem a negócios ou turismo terão de prestar caução até 15.000 dólares.
Segundo o Governo cabo-verdiano, o país apresenta uma taxa de permanência além do tempo permitido (‘overstay’) de 13,26%, acima dos 12,41% de 2013, valores superiores aos de vários outros países.
Na quarta-feira, Cabo Verde passou também a integrar a lista de 75 países, incluindo o Brasil, suspensos do processo de obtenção de vistos de imigração. Ambas as medidas vão entrar em vigor esta quarta-feira.
Os EUA são um dos principais destinos da diáspora cabo-verdiana e o arquipélago vai disputar, este ano, o seu primeiro Campeonato do Mundo de futebol em solo norte-americano.
Assinado acordo com o Banco Europeu de Investimento
O Governo de Cabo Verde anunciou a assinatura de um acordo de 33,3 milhões de euros com o Banco Europeu de Investimento para modernização de vários portos do arquipélago. Está prevista a expansão e requalificação das estruturas portuárias de Porto Grande (Mindelo, São Vicente), Porto Novo (Santo Antão) e Porto da Palmeira (Sal), encontrando-se igualmente programadas intervenções no Porto da Praia. O programa inclui ainda a modernização do estaleiro naval Cabnave, em São Vicente. O valor faz parte do projecto “Cabo Verde Blue Economy – Sustainable Ports”, integrado na iniciativa Global Gateway da União Europeia. A iniciativa foi anunciada em Setembro de 2024, na cidade da Praia, com um valor global de investimentos previstos de 378 milhões de euros em várias áreas, como energias renováveis, novas tecnologias e economia azul.
JTM com Lusa



