O Presidente cabo-verdiano vai condecorar, na cidade da Praia, Cristina Duarte e Maria Helena Semedo pelo contributo para “o prestígio e afirmação internacional” do país, anunciou a Presidência da República. Ambas serão distinguidas com a Ordem do Dragoeiro, Primeiro Grau, “pelo contributo ímpar que prestaram ao prestígio e afirmação internacional de Cabo Verde e pela excelência e integridade com que serviram o ideal do desenvolvimento humano e sustentável”, segundo comunicado. Cristina Duarte, subsecretária-geral das Nações Unidas e assessora especial do secretário-geral para os Assuntos Africanos, “notabilizou-se como uma das vozes mais influentes na definição de políticas públicas e económicas em África”, assinalou a Presidência. Maria Helena Semedo, antiga directora-geral adjunta da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), exerceu diversos cargos nas Nações Unidas, “a partir dos quais promoveu políticas inovadoras de segurança alimentar, resiliência climática e transformação dos sistemas agro-alimentares”. A distinção, atribuída em Decreto Presidencial de 25 de Março, enquadra-se nas celebrações dos 50 anos da independência de Cabo Verde, assinalados em 2025.

 

UNITA estima que Angola arrecadou 10 mil milhões USD em receitas petrolíferas

A UNITA estimou que o Governo angolano beneficiou de ganhos petrolíferos brutos adicionais de mais de 10 mil milhões de dólares, entre 2024 e 2026, e pediu um debate parlamentar “urgente” sobre o seu impacto nas famílias. No domínio das receitas fiscais adicionais, os ganhos extraordinários acumulados entre 2024 e 1 de Junho de 2026 variaram entre 2,3 e 4 mil milhões de dólares, “associados directa ou indirectamente à valorização impulsionada pelas tensões geopolíticas no Médio Oriente”, disse a deputada Albertina Ngolo. A presidente do grupo parlamentar da UNITA, que falava em conferência de imprensa, salientou que os referidos números “demonstram que Angola está a beneficiar de um dos maiores ciclos de ganhos petrolíferos extraordinários desde o período pós-pandemia”. Contudo, observou a deputada da UNITA, a “questão estratégica” permanece a mesma, por entender que o país continua excessivamente dependente dos choques externos para equilibrar as suas contas públicas”. “Hoje é uma guerra que sustenta parte do equilíbrio fiscal. Amanhã poderá ser um cessar-fogo, uma recessão global, uma desaceleração da China ou um excesso de oferta petrolífera que elimine rapidamente estes ganhos”, apontou. Referiu que a “verdadeira questão” é saber se Angola está a “transformar estes excedentes extraordinários numa oportunidade para finalmente reduzir a sua dependência estrutural do petróleo”. “E mais importante ainda é saber se estes recursos estão a ser investidos na melhoria das condições de vida das famílias angolanas”, notou. A deputada angolana insistiu na necessidade de o Governo angolano prestar contas a Assembleia Nacional (parlamento) “sobre a aplicação destes milhões, tal como recorre ao parlamento para rever em baixa do Orçamento quando o preço internacional do barril de petróleo se posiciona abaixo do preço de referência”. Assinalou também que este cenário motivou o grupo parlamentar da UNITA solicitar ao presidente do parlamento o agendamento de um debate com “carácter de urgência” sobre o impacto do aumento do preço de petróleo no Orçamento Geral do Estado (OGE) 2026 e na vida das famílias. Cálculos da UNITA projectam que Angola alcance em 2026 ganhos fiscais adicionais no sector petrolífero entre os 1,2 e 2,5 mil milhões de dólares, se o preço do barril de petróleo se mantiver entre os 80 e 93 dólares, acima dos 61 dólares (preço de referência no OGE 2026). A deputada da UNITA apontou ainda o que classificou como “paradoxo angolano”, observando que a guerra no Médio Oriente “pode enriquecer temporariamente o Estado angolano”, mas “não enriquece automaticamente as famílias se estes recursos não foram investidos para maior produtividade nacional, industrialização, crescimento agrícola, inovação tecnológica e diversificação das exportações e na redução da fome e da pobreza”. “É um enriquecimento efémero, porque resulta de factores externos e imprevisíveis, ou seja, Angola continua a depender mais da geopolítica internacional do que da transformação estrutural da sua própria economia”, concluiu a política.