O Presidente da transição na Guiné-Bissau, general Horta Inta-a, apelou à “participação massiva dos cidadãos, sem olhar para cor partidária”, no quarto recenseamento geral da população e habitação, iniciado em todo o país.

Horta Inta-a foi o primeiro cidadão guineense a recensear-se para um processo que disse não ter fins partidários ou do Alto Comando Militar.

“Apelo a todos os cidadãos da Guiné-Bissau para que se recenseiem. Não se trata de um recenseamento com fins políticos partidários, não. Deixemos de lado as questões políticas. Dispensamos um dia para responder às questões dos inquiridores”, exortou o militar que lidera a Guiné-Bissau desde o golpe de Estado de 26 de Novembro de 2025.

Nomeado pelo Alto Comando Militar, que governa o país desde o golpe, Horta Inta-a defendeu que, enquanto Presidente da Guiné-Bissau, precisa saber “quantas pessoas tem sob a sua responsabilidade”.

As declarações do general Inta-a foram transmitidas pelos órgãos de comunicação social guineenses, consultados nas redes sociais, os mesmos canais onde foram reproduzidas as exortações do Primeiro-Ministro de transição, Ilídio Vieira Té, que presidiu ao lançamento oficial do recenseamento, numa unidade hoteleira de Bissau.

O Primeiro-Ministro enalteceu os apoios de parceiros internacionais que viabilizaram a efectivação do recenseamento, lembrando que o país já não fazia o mesmo exercício “há muitos anos”.

O último recenseamento geral da população guineense ocorreu em 2009.

Ilídio Vieira Té apelou aos guineenses para “passarem informações credíveis” que, disse, “vão ajudar a preparar o presente e o futuro” do país, mas exortou os cidadãos a não misturarem o processo com objectivos políticos. “Agora tudo na Guiné-Bissau é misturado com política. Este recenseamento não tem nada a ver com partidos ou com a política”, defendeu Vieira Té, sublinhando que os dados a serem apurados no recenseamento serão utilizados por todos os governos do país.

Após discursar em português, o Primeiro-Ministro de transição lançou algumas palavras em crioulo, tendo afirmado que o país “está muito calmo e num bom rumo”, fruto dos trabalhos em curso e dos apoios de parceiros internacionais.

O Banco Mundial e o Fundo de População das Nações Unidas são os principais financiadores do recenseamento, com cerca de 19 milhões de dólares. O quarto Recenseamento Geral da População e Habitação na Guiné-Bissau vai decorrer até ao dia 21 e o presidente do Instituto Nacional de Estatística, entidade que conduz o processo, Roberto Vieira, afirma que o país vai passar a saber o número exacto da população guineense, onde e como vive.

 

JTM com Lusa