O Primeiro-Ministro (PM) chinês realçou ontem a estabilidade da economia chinesa, ao discursar na sessão plenária da 17ª Reunião Anual dos Novos Campeões do Fórum Económico Mundial, conhecida como ‘Davos de Verão’, que decorre até hoje na cidade de Dalian. Li Qiang sublinhou que a economia chinesa teve um início de ano resiliente, apesar de um cenário internacional marcado por conflitos geopolíticos, tensões comerciais e uma recuperação global ainda frágil. Segundo Li, o Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 5% em termos homólogos no primeiro trimestre, e manteve uma tendência positiva nos três meses seguintes, com um aumento dos lucros das empresas, uma recuperação moderada dos preços e uma melhoria do nível de vida. O PM apresentou estes números como um sinal de “certeza” numa altura de acentuada volatilidade global, embora a economia chinesa continue a enfrentar desafios como a prolongada crise imobiliária, a fraca confiança do sector privado, o envelhecimento da população e a dívida dos governos locais. Enfatizou ainda a inovação como “chave” para o crescimento a longo prazo e citou os avanços em sectores como o espaço comercial, a computação quântica, os circuitos integrados, a fusão nuclear e a inteligência artificial (IA). O discurso decorreu num fórum focado precisamente em como traduzir a inovação em novos modelos de crescimento, sob o tema “Inovar em Escala”. Por outro lado, defendeu que os avanços tecnológicos da China representam uma oportunidade para o mundo e não uma ameaça, rejeitando a ideia de que constituam um novo “choque chinês” para as economias avançadas. Li reconheceu que têm aumentado as preocupações internacionais em torno da inovação tecnológica chinesa, com alguns analistas a usarem a expressão “Choque da China 2.0” para descrever o rápido crescimento de sectores como a IA, robótica, semicondutores, baterias, painéis solares e veículos eléctricos. Porém, frisou que essa evolução tecnológica deve antes ser encarada como uma “Oportunidade da China 2.0”. “Numa perspectiva de desenvolvimento global, a ‘Oportunidade da China 2.0’ significa um acesso mais amplo a tecnologias avançadas e uma partilha mais alargada dos seus benefícios, afirmou. Segundo acentuou, as novas tecnologias e produtos chineses “não trazem choques, mas oportunidades”, enquanto instrumentos de capacitação para outros países. Li atribuiu o sucesso tecnológico à dimensão do mercado interno, que permite uma rápida adopção de novas tecnologias por uma população de mais de 1,4 mil milhões de pessoas, bem como ao investimento realizado pelas empresas do país. Também rejeitou as críticas sobre o peso dos apoios públicos na competitividade industrial da China e assegurou que “o Governo chinês não é assim tão rico que possa dar subsídios”. “Não é assim”, afirmou, associando a competitividade chinesa à “escala do mercado interno”, “força da indústria transformadora” e rápida aplicação de novas tecnologias. O ‘Davos de Verão’ reúne em Dalian mais de 1.700 representantes dos meios político, empresarial, académico e mediático de mais de 90 países e regiões. Entre os participantes contam-se os chefes de Governo do Bangladesh, Guiné-Conacri, Cazaquistão, Coreia do Sul, Mongólia e Montenegro.
JTM com Lusa e agências internacionais



