ROSANA SEMEDO*
A sala do Centro Cultural Português de Cabo Verde foi pequena para acolher o público que se juntou, na quinta-feira, para ver e ouvir um novo pianista do arquipélago, Helber Passos, que tem apenas 11 anos.
“Toco piano desde os 5. O meu pai comprou-me um teclado pequeno e eu vi vídeos no YouTube até aprender”, diz à Lusa o pequeno prodígio da escola de música Pentagrama, cujas qualidades levaram à organização de um recital a solo – a sua primeira apresentação pública.
O interesse pela música surgiu de forma espontânea e foi crescendo. “Quando toco, sinto-me alegre e calmo”, afirma à Lusa.
O pai, Emmanuel Passos, lembra-se de quando Helber conseguiu reproduzir, sozinho, as 15 músicas pré-gravadas num brinquedo de Natal. “Percebemos que precisava de acompanhamento”, diz, e inscreveram-no numa escola de música, sendo o primeiro da família a interessar-se pela arte.
“É um orgulho enorme vê-lo a tocar, mas o mais importante é que ele seja feliz”, acrescenta.
O percurso de Helber tem sido acompanhado pela escola de música Pentagrama, fundada em 1991 pelo professor, guitarrista e compositor Tó Tavares. “Há pessoas que nascem para isto. O Helber nasceu pianista, eu estou apenas a orientá-lo”, afirma.
A escola é uma referência no país e já formou vários músicos que seguiram carreiras profissionais, como Mayra Andrade, Djodje, Sara Alhinho e Linda Chantre. Hoje, conta com cerca de uma centena de alunos e formação em piano, canto, guitarra e flauta.
Segundo Tó Tavares, o objectivo é “desenvolver o talento natural” dos alunos, sem descurar a componente técnica e educativa.
O recital de Helber reuniu familiares, amigos e amantes da música, que destacaram o talento do jovem pianista e a importância de iniciativas dedicadas à formação artística das crianças.
Filomena Vaz, uma das pessoas na plateia, disse ter ficado “perplexa” com a actuação e com a forma como a música pode contribuir para a educação. “A maneira como Helber interpretava as notas tocava na alma das pessoas. Fiquei muito emocionada”, acrescenta.
António Barreto, admirador de piano, considera a habilidade do rapaz “impressionante” e defende que os pais devem incentivar os filhos que revelem vocação para a música.
Helber admite que as sequências mais rápidas continuam a ser o maior desafio. “Às vezes não chego à nota certa, mas vou-me habituando”, acrescenta, referindo que já toca várias peças de memória.
Além da música, divide o tempo livre entre o futebol, o karaté e jogos de raciocínio, como xadrez, puzzles e um cubo mágico.
Agora, espera que este recital seja apenas o início de um percurso.
“Quero continuar a tocar piano”, diz, deixando também uma mensagem a outras crianças: “Não desistam dos seus sonhos e não tenham vergonha”.
PR cabo-verdiano distinguido pela Universidade de Coimbra
O Presidente cabo-verdiano iniciou ontem uma visita de quatro dias a Portugal, durante a qual será distinguido com a Medalha da Universidade de Coimbra em reconhecimento pelo contributo para a consolidação da democracia e o desenvolvimento de Cabo Verde. Segundo uma nota da Presidência, a atribuição da medalha, “raramente concedida”, foi aprovada por unanimidade pelo Senado da Universidade de Coimbra, em Outubro de 2025, que destaca o papel de José Maria Neves “na história de Cabo Verde”, pela sua liderança na consolidação da democracia e na transformação socioeconómica do país. A medalha será entregue no Colégio da Trindade, após a conferência “A Crioulidade e o Futuro da Humanidade”, que o chefe de Estado cabo-verdiano irá proferir no âmbito da 44ª edição das Conversas da Casa da Lusofonia. Antes da cerimónia, José Maria Neves será recebido pela presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa. Hoje, a agenda inclui uma visita à Figueira da Foz, onde será recebido pelo presidente da Câmara Municipal, Pedro Santana Lopes, e visitará o Porto da Figueira da Foz, o Miradouro da Bandeira e o Centro de Artes e Espectáculos. Após a cerimónia em Coimbra, o Presidente desloca-se a Lisboa, onde condecorará o presidente da Cooperativa de Formação e Animação Cultural (COFAC), Manuel de Almeida Damásio, com a medalha de mérito de primeira classe. A visita termina na quinta-feira, com a participação nas comemorações do 51º aniversário da independência do arquipélago, no Centro Cultural de Cabo Verde, em Lisboa, que incluem a inauguração da exposição “Orgulho nacional: as equipas que levam Cabo Verde ao mundo”, dedicada à selecção cabo-verdiana de futebol.
*Jornalista da agência Lusa



