O Governo chinês negou que o Presidente dos EUA tenha apoiado a Primeira-Ministra japonesa face às críticas do Presidente chinês, durante a cimeira realizada em Pequim, em meados de Maio. O jornal japonês “Yomiuri Shimbun” noticiou que, durante o encontro, Xi Jinping acusou directamente Sanae Takaichi e o líder taiwanês William Lai de ameaçarem a paz regional e instou Donald Trump a não os apoiar. Segundo fontes citadas pelo jornal, o Presidente dos EUA terá respondido que Takaichi não é uma líder que mereça críticas. Um alto funcionário do Governo japonês considerou, segundo o jornal, que as declarações de Trump destacaram a união de Tóquio e Washington contra Pequim. “O conteúdo das reportagens que referem não corresponde à informação disponível para a China”, afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning, numa conferência de imprensa, acrescentando que Pequim “já divulgou a informação relevante” sobre o encontro entre Xi e Trump. As relações entre Pequim e Tóquio ficaram tensas no final de 2025, quando Takaichi afirmou que um ataque chinês a Taiwan poderia constituir uma ameaça à sobrevivência do Japão, justificando a intervenção das Forças de Autodefesa do Japão. Os comentários irritaram as autoridades chinesas, que aconselharam os seus cidadãos a evitar viagens para o arquipélago, além de imporem sanções económicas e culturais. Por sua vez, citando pessoas familiarizadas com o encontro, o “Financial Times” (FT) noticiou que Xi criticou Takaichi, pela sua iniciativa de remilitarização durante a cimeira com Trump. Segundo o jornal britânico, Xi mostrou-se exaltado e agitado ao discutir o aumento dos gastos militares do Japão com Trump. Várias pessoas disseram que essa crítica foi o momento mais aceso da cimeira, surpreendendo os responsáveis da administração Trump, uma vez que o Japão não tinha sido tema de conversações bilaterais antes da cimeira. Trump disse a Xi que Takaichi precisava de adoptar uma postura de segurança mais assertiva devido à crescente ameaça da Coreia do Norte, segundo o FT. O Japão eliminou recentemente a maioria das restrições à venda de equipamento militar e Takaichi sinalizou um alívio dos seus princípios anti-nucleares, que também suscitaram críticas por parte da China. Após a cimeira com a China, Trump e Takaichi falaram por telefone e concordaram em comunicar sobre questões importantes na região do Indo-Pacífico, mas nenhum dos governos forneceu detalhes sobre o que foi discutido. Segundo a agência Bloomberg, o secretário-chefe do Governo do Japão, Minoru Kihara, recusou comentar a notícia do FT, alegando que o Japão não estava em condições de se pronunciar sobre o assunto, dado que não estava directamente envolvido. “Não farei mais comentários sobre o assunto, dado que se trata de uma questão diplomática”, disse, observando ainda assim que Takaichi afirmou que Trump “apoiou o Japão” durante o encontro com o Xi. Kihara disse ainda que as alegações da China sobre um aumento do militarismo no Japão são “totalmente infundadas”. “Não houve qualquer alteração na nossa política de procura da paz”, disse, acrescentando que o recente aumento das capacidades de defesa do Japão se limita ao mínimo indispensável.
JTM com agências internacionais



