O Governo chinês declarou ontem que a vitória esmagadora do partido da Primeira-Ministra Sanae Takaichi nas eleições gerais do Japão “reflecte problemas estruturais” naquele país. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Lin Jian, declarou que os resultados das eleições mostram “tendências ideológicas profundamente enraizadas que merecem uma profunda reflexão por parte de pessoas perspicazes no Japão e na comunidade internacional”. Lin instou as autoridades japonesas “a abordarem, em vez de ignorarem, as preocupações da comunidade internacional e a seguirem o caminho do desenvolvimento pacífico” para não repetirem “os erros do passado”. “Se as forças de extrema-direita no Japão interpretarem mal a situação e agirem de forma imprudente, enfrentarão inevitavelmente a resistência do povo japonês e um forte contra-ataque da comunidade internacional”, avisou, acrescentando que a política de Pequim em relação a Tóquio “sempre manteve a estabilidade e a continuidade e não irá mudar por causa de nenhuma eleição japonesa específica”. Por sua vez, Takaichi assegurou que o Japão “está aberto a diversos diálogos com a China”. “Já temos trocas de pontos de vista. Prosseguiremos com essas trocas. Mas fá-lo-emos de forma ponderada e apropriada”, declarou. O Partido Liberal Democrático (PLD), de Takaichi, conquistou 316 dos 465 lugares na câmara baixa do parlamento nas eleições, que decorreram num contexto de deterioração das relações entre Pequim e Tóquio devido à questão de Taiwan. A China acusou repetidamente o Japão de interferir nos seus assuntos internos depois de Takaichi ter afirmado que um potencial ataque chinês à ilha poderia colocar o Japão numa “situação de crise” e até desencadear a intervenção das suas Forças de Autodefesa. Pequim respondeu com protestos diplomáticos, alertas de viagem para cidadãos chineses, restrições às importações de marisco nipónico e críticas à implantação de sistemas de defesa anti-míssil no sudoeste do Japão. A proporção de votos obtidos pelo PLD representa uma maioria de pouco mais de dois terços da câmara, o que, na prática, dá ‘carta branca’ a Takaichi para fazer vingar as suas políticas sem depender de negociações no Parlamento, mesmo que as suas propostas sejam rejeitadas na Câmara dos Representantes, onde a coligação governamental é minoritária. Com os 36 assentos obtidos pelo Partido da Inovação do Japão (Ishin), a coligação no poder obteve 352 lugares no total, de acordo com os números divulgados pela estação pública de televisão NHK. Os líderes da Aliança Reformista, partido da oposição, Yoshihiko Noda e Tetsuo Saito, já anunciaram a intenção de se demitirem após a retumbante derrota eleitoral. Criada especificamente para as eleições de domingo, esta aliança entre o Partido Democrático Constitucional (PDC), de Noda, e o partido Komeito, de orientação budista, antigo parceiro do PLD, só conseguiu eleger 49 deputados. Antes das eleições antecipadas, os dois partidos detinham um total de 167 lugares na Câmara dos Representantes (a maior das duas câmaras do Parlamento).
JTM com agências internacionais



