A China protestou contra as autoridades norte-americanas e canadianas e exigiu a libertação da directora financeira da Huawei, que foi detida em Vancouver e enfrenta uma possível extradição para os EUA

 

O Governo chinês pediu ontem explicações a Washington e Ottawa pela detenção de Meng Wanzhou, directora financeira do grupo de telecomunicações Huawei e filha do fundador da empresa. “Exigimos às duas partes que nos esclareçam o mais rapidamente possível o motivo da detenção”, afirmou Geng Shuang, porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, solicitando a libertação “imediata” de Meng.

A Embaixada da China no Canadá também divulgou um comunicado com a mesma exigência. “Acompanharemos de perto o desenvolvimento desta questão e tomaremos medidas para proteger resolutamente os legítimos direitos e interesses dos cidadãos chineses”, refere a nota.

Segundo a Embaixada, a China “opõe-se com firmeza e protesta com energia” contra a detenção “que prejudicou gravemente os direitos humanos da vítima”.

Meng, de 46 anos, foi detida no sábado em Vancouver depois de Washington ter pedido a sua extradição por supostamente ter violado as sanções impostas pelas autoridades norte-americanas contra o Irão.

O porta-voz do Departamento de Justiça do Canadá, Ian McLeod, confirmou a detenção de Meng, que também é vice-presidente da administração da Huawei Technologies, mas explicou que há uma interdição para divulgar informação, pelo que não podia avançar mais detalhes. A interdição foi solicitada por Meng, que terá hoje uma audiência.

A Huawei declarou que “recebeu muito pouca informação sobre as acusações e não tem conhecimento de qualquer crime por parte de Meng”. No mesmo comunicado, a empresa reafirma que respeita todas as leis dos países onde opera.

O grupo chinês está sujeito a rigoroso controlo nos EUA, cujas autoridades de segurança alegam que a sua estreita ligação com o governo de Pequim representa um risco à segurança. O negócio da Huawei nos EUA foi bastante limitado devido a receios de que a companhia enfraqueça concorrentes americanos e os seus “smartphones” e equipamentos de rede, amplamente usados noutros países, sirvam de instrumentos de espionagem.

 

JTM com Lusa e agências internacionais