Pela primeira vez, bispos católicos da China vão participar esta semana numa importante reunião no Vaticano, informou a Igreja Católica
Poucos dias após terem celebrado um acordo histórico sobre a nomeação de bispos, a Santa Sé e Pequim deram mais um importante sinal de aproximação. O Vaticano vai acolher dois bispos da China Continental para uma cimeira de um mês, conhecida como sínodo, que começa hoje e visa debater o papel dos jovens na Igreja Católica.
“Eles foram convidados pelo Papa. Acho que já estão a caminho de Roma”, revelou o cardeal Lorenzo Baldisseri numa conferência de imprensa. “A Santa Sé já convidou bispos da China Continental anteriormente, mas eles nunca puderam comparecer”, acrescentou.
O cardeal sublinhou, de resto, o facto de esta ser a primeira vez que o Governo de Pequim permite que bispos deixem a China para acompanhar um sínodo do Vaticano, encontro que ocorre com intervalos de poucos anos para abordar um tópico específico.
De acordo com a agência Reuters, este passo deriva da melhoria das relações entre o Vaticano e Pequim depois da assinatura do acordo no dia 22 de Setembro.
O acordo concede ao Vaticano o seu desejo antigo de ter voz activa na escolha dos bispos chineses, mas alguns críticos consideram que se trata de uma capitulação perante a China, onde os cerca de 12 milhões de católicos chineses se dividiram entre a igreja “clandestina”, leal ao Vaticano, e a Associação Católica Patriótica, supervisionada pelo Estado.
Por outro lado, três fontes da Igreja Católica conhecedoras do processo adiantaram à Reuters que o acordo entre os dois Estados foi concretizado sem que Pequim tomasse medidas relativamente às preocupações da Igreja sobre clérigos que se encontram detidos. Segundo as mesmas fontes, a situação de uma dezena de padres e bispos detidos, alguns idosos, permanece sem solução e será sujeita a esforços contínuos do Vaticano.
Apesar dos repetidos pedidos feitos pelo Vaticano nos últimos anos, Pequim forneceu poucas informações claras sobre o destino e o número exacto desses clérigos, disseram as fontes. Padres e activistas que acompanham essa questão temem que alguns dos detidos tenham morrido na prisão.
Na semana passada, na sua primeira declaração pública sobre o acordo com Pequim, o Papa confirmou que a China deixará de nomear bispos sem o aval do Vaticano, mas será consultada sobre os candidatos. Pedindo orações pelos que “não entendem ou que passaram tantos anos na clandestinidade”, o Sumo Pontífice frisou que em todas as negociações ou acordos de paz “as partes perdem algo” para poder avançar.
JTM com agências internacionais



