A Península Ibérica concentra entre 55% e 65% da área total ardida na Europa desde 2014, tornando-se o epicentro dos incêndios florestais em 2015, o pior ano de que há registo, durante o qual mais de 1,03 milhões de hectares foram devastados em todo o continente. De acordo com um relatório apresentado pelo Grupo Avincis, um dos principais operadores mundiais de serviços aéreos de emergência, a Europa não está preparada para lidar com o aumento dos incêndios florestais e precisa de agir com urgência para expandir a sua capacidade de combate aéreo aos incêndios, segundo os alertas dos profissionais do sector. A área média anual ardida em todo o continente aumentou 135% nos últimos cinco anos (de 280.000 hectares em 2014-2019 para 660.000 em 2020-2025). O sul da Europa é a região mais afectada, e os países mediterrânicos foram responsáveis por 81% da área total ardida no continente em 2025. Em particular, o estudo, intitulado “Em Chamas: Os Desafios do Combate aos Incêndios Florestais por Via Aérea numa Europa Mais Quente”, destaca que Espanha registou cerca de 390.000 hectares ardidos em 2025, um número cinco vezes superior à média do período de 2015-2019 e o dobro da média de 2020-2024. Enquanto Portugal registou uma área ardida quase três vezes superior à média recente (277.000 hectares), a Itália e a Grécia enfrentam épocas intensas, com períodos prolongados de elevado risco e eventos de elevada intensidade. Entretanto, a Roménia emergiu como um novo foco de incêndios, com um aumento significativo da área ardida nos últimos três anos, à medida que a seca se espalha para leste. O risco de incêndios florestais expandiu-se também para o norte da Europa, onde, em 2025, a Dinamarca registou 255 hectares ardidos, mais 251% do que a sua média histórica, e a Suécia, 1.100 hectares ardidos, uma subida de 120% face à sua média recente. “As épocas de incêndio estão a tornar-se mais longas, a disponibilidade global de aeronaves está a diminuir e o modelo tradicional de implantação de aeronaves em todo o mundo já não é viável”, disse John Boag, presidente do Grupo Avincis, em comunicado. Por isso, para aliviar a situação, o relatório alerta que “se a Europa quer estar preparada, deve investir em novas aeronaves, eliminar as barreiras regulamentares e desenvolver capacidades operacionais de combate aos incêndios aéreos durante todo o ano, antes que a situação se agrave ainda mais”. Entre os problemas actuais que a Europa enfrenta, o relatório destaca a escassez de pilotos especializados no combate a incêndios, a preparação estrutural insuficiente para lidar com a magnitude dos incêndios previstos nos últimos anos e a falta de coordenação entre os países. Aponta ainda para a escassez de aeronaves; a procura de recursos aéreos de combate a incêndios está a crescer mais rapidamente do que a capacidade de resposta da Europa, especialmente durante o Verão, demonstrando uma excessiva dependência de uma frota envelhecida.
JTM com agências internacionais



