A China, maior consumidor de carvão do mundo, gerou menos de 50% da sua electricidade a partir deste combustível fóssil no semestre que terminou em Junho, marcando um feito inédito para o país, que tem vindo a promover a utilização desta fonte de energia renovável, disseram as autoridades. A participação do carvão na matriz energética foi de 49,7%, afirmou Xing Yiteng, vice-director-geral do gabinete de desenvolvimento e planeamento da gestão de energia, numa conferência de imprensa. Esta participação representa uma queda significativa face aos 65,5% registados em 2016, segundo dados anteriores da Administração Nacional de Energia da China. A quota das energias renováveis ​​cresceu para 41,2% – a primeira vez que ultrapassou os 40% – e, deste total, a energia eólica e solar representaram 24,6%, acrescentou Xing. A participação da energia eólica e solar na matriz energética da China aumentou face aos 9,7% registados em 2020. O gás natural e a energia nuclear constituem o restante. Apesar da redução da quota do carvão, analistas afirmam que a China ainda poderá utilizar mais carvão em 2026 do que em 2025, devido ao rápido crescimento da procura de energia. Mais chineses estão a optar por carros eléctricos, centros de dados para inteligência artificial (IA) estão a ser construídos e as exportações continuam a crescer. Os planeadores estabeleceram um prazo para que o consumo de carvão atinja o seu pico até 2030. As metas da China prevêem aumentar a participação da energia eólica e solar na sua matriz energética para 30% até 2030, mas Gao Yuhe, gestor de projectos da Greenpeace Leste Asiático, afirma que esta meta poderá ser alcançada já em 2028, com o auxílio de uma maior implantação de sistemas solares fotovoltaicos com baterias em telhados. “O armazenamento, juntamente com a resposta à procura e mercados de electricidade mais flexíveis, permitirá uma penetração muito maior da energia solar distribuída e ajudará a satisfazer a crescente procura de electricidade com energia renovável em vez de combustíveis fósseis”, disse. A quota da energia a carvão na China é muito maior do que em algumas outras grandes economias, em parte porque o país tem reservas abundantes e comparativamente pouco gás natural. Por exemplo, o carvão representou apenas 17% da geração de energia à escala comercial nos EUA em 2025, enquanto 41% provinha do gás natural. No entanto, a dependência da China em relação ao carvão é menor do que a da Índia, rica em carvão, onde o carvão e o lignite representaram 69% da geração de energia em 2025. Apesar das amplas reservas domésticas de carvão, a China ainda importou quase 500 milhões de toneladas de carvão em 2025 – contra 4,83 mil milhões de toneladas de produção interna – sendo que grande parte das importações se destinavam a centrais termoeléctricas costeiras. O declínio do carvão pode ter efeitos indirectos em diversos sectores. Os principais fornecedores são a Indonésia, a Mongólia, a Austrália e a Rússia, embora a quota do carvão importado dependa em grande parte da diferença de preço. Enquanto o consumo na indústria de transformação de carvão em produtos químicos continua a aumentar, muitos projectos dependem de carvão nacional barato.

 

JTM com agências internacionais