O mediático julgamento de Bo Xilai terminou ontem, com o ex-dirigente a contestar acusações “arbitrárias e subjectivas” e os Procuradores a consideraram que ficou provada a prática de crimes “extremamente graves”
Na sessão de alegações finais, os Procuradores sustentaram que foi demonstrada a culpa do ex-dirigente em crimes “extremamente graves” e exigiram que seja “seriamente punido” por má gestão, abuso de poder e corrupção.
“Os crimes cometidos pelo réu são extremamente graves e ele recusou-se a admitir a culpa. Não há base legal para a clemência”, vincou a acusação, segundo a transcrição difundida pelo Tribunal Intermédio de Jinan na Internet.
Segundo a transcrição – que o Tribunal retirou por breves minutos antes de a voltar a colocar e sem qualquer justificação – os Procuradores dirigiram-se directamente a Bo Xilai para vincarem que os actos “são objectivos e não se podem mudar segundo a sua vontade subjectiva”.
A acusação aludia assim ao anúncio de Bo Xilai no primeiro dia do julgamento quando este retirou a sua admissão de culpa na acusação de ter aceitado subornos porque, disse, o tinha confessado sob pressão. “Fiz isso contra a minha vontade”, disse na sessão inaugural, acrescentando que “naquele tempo ainda tinha esperança de que iria manter a minha filiação partidária” e conseguiria manter a vida política.
No entanto, para os Procuradores, Bo Xilai não explicou de forma convincente a sua mudança de declarações.
Durante o julgamento, Bo Xilai admitiu erros na gestão de fundos públicos e na sua actuação ao ocultar a responsabilidade da sua mulher na morte de um empresário britânico, mas disse que o dinheiro de alegados subornos ficou com a esposa. Porém, os Procuradores sublinham que Bo conhecia a relação da mulher com os empresários e, por isso, deve ser responsabilizado.
Depois dos Procuradores terem usado da palavra para as alegações finais, Bo Xilai voltou a refutar as acusações. “As acusações do Ministério Público contra mim são extremamente unilaterais, arbitrárias e subjectivas”, afirmou Bo na sua declaração final.
Com alguma ironia à mistura, o antigo dirigente agradeceu mesmo ao tribunal, salientando que os Procuradores trabalharam arduamente para reunir provas contra ele. “Respeito o trabalho deles e este tem sido um caso muito complicado. Mas quanto disso pertence realmente a mim?”, disse.
Ao longo de todo o julgamento, Bo Xilai manteve uma postura combativa, mas muitos analistas acreditam que isso poderá ser fruto de um acordo com as autoridades para preservar de alguma forma a imagem do ex-político.
O final do julgamento foi noticiado pela agência oficial chinesa, Xinhua, e a sentença será conhecida mais tarde, numa data ainda não divulgada.
Esposa e chefe da polícia “eram como cola e tinta”
Wang Lijun, ex-chefe da polícia de Chongqing fugiu para o Consulado americano daquela cidade e revelou o maior escândalo político em décadas na China porque tinha “sentimentos ocultos” e “estava apaixonado” por Gu Kailai, esposa de Bo Xilai, assegurou o antigo dirigente do Partido Comunista. De acordo com a transcrição das suas declarações feita pelo Tribunal, Bo argumentou que o seu antigo “braço direito” e Gu tiveram um relação amorosa e que os dois ocultaram informações importantes. “Ele e Gu Kailai eram como cola e tinta”, disse, usando uma expressão usada na China para relacionamentos românticos.



