Rodrigo Duterte foi ontem proclamado Presidente das Filipinas pelas duas câmaras do Parlamento, numa cerimónia em que optou por não estar presente

 

A sessão conjunta da Câmara dos Representantes e do Senado filipinos validaram ontem o resultado das últimas eleições gerais no país, que deram uma esmagadora vitória a Duterte, com mais de seis milhões de votos do que o segundo candidato mais votado, proclamando-o Presidente.

Duterte optou por não assistir à cerimónia, ficando em Davao, uma cidade muito urbanizada na ilha de Mindanao, no sul das Filipinas, a que presidiu durante sete mandatos, durante mais de 22 anos.

Populista eficaz, Rodrigo Duterte seduziu o eleitorado com uma linguagem musculada e crua em torno de dois problemas centrais no país, a criminalidade e a pobreza, o primeiro dos quais prometeu resolver matando milhares de criminosos.

Três décadas depois da revolução que afastou do poder Ferdinand Marcos, os opositores de Rodrigo Duterte alertaram de forma recorrente para o risco de uma nova ditadura e instabilidade social nas Filipinas. Os alertas, porém, não sensibilizaram os eleitores. Pelo contrário, a falta de tradução do forte crescimento da economia do arquipélago na melhoria do nível de vida da maioria deu a Rodrigo Duterte argumentos muito mais eficazes para construir o discurso crítico contra as elites.

A eficácia Duterte é tal que nem um duro insulto ao Papa num país com 80% de católicos fervorosos – chamou “filho da p…” ao Papa por ter provocado engarrafamentos durante uma visita ao país -, provocou mossa relevante na campanha.

Confirmada a vitória, e antes de ser empossado, Duterte confirmou entretanto ao que vinha: já reiterou que irá reintroduzir a pena de morte no país e que dará ordens às forças de segurança para “atirar a matar” nos casos de operações contra o crime organizado ou de criminosos que resistem à prisão com violência.

Disse também que “quer visitar o Vaticano” para “homenagear o papa”, mas também “para se explicar” e “pedir-lhe o seu perdão”, pessoalmente, pelo insulto que lhe dirigiu.

 

JTM/LUSA