A visita à China do Presidente russo deverá elevar ainda mais as relações bilaterais e injectar a tão necessária estabilidade e um impulso positivo num mundo turbulento, comentou a agência Xinhua. Recordando que em 2026 se assinala o 30º aniversário da parceria estratégica de coordenação China-Rússia e o 25º do Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amistosa China-Rússia, a agência frisa que estes marcos realçam a maturidade e resiliência de uma relação definida pelo respeito mútuo pelos interesses fundamentais e pelas principais preocupações de cada um, bem como pela cooperação mutuamente benéfica, enquanto ambos os lados procuram rumos de desenvolvimento adequados às suas próprias condições nacionais. “Guiadas pelas visões estratégicas dos dois chefes de Estado, as relações China-Rússia têm avançado continuamente para níveis mais elevados e expandido para dimensões mais amplas, servindo de modelo para as relações entre grandes potências na nova era. Desde 2013, os dois líderes reuniram-se mais de 40 vezes em ocasiões bilaterais e multilaterais”, continua o artigo, frisando ainda que “a parceria estratégica abrangente de coordenação China-Rússia para uma nova era tem-se fortalecido e tornado mais substancial, assente no aprofundamento da confiança política mútua, na amizade duradoura de boa vizinhança e na cooperação prática em múltiplas áreas”. A cooperação energética continua a ser um pilar fundamental das relações bilaterais, ancorada em bases sólidas e no progresso constante de grandes projectos de infra-estruturas. Segundo o Ministério do Comércio da China, o comércio bilateral atingiu cerca de 228 mil milhões de USD em 2025, ultrapassando 200 mil milhões pelo terceiro ano consecutivo. A China mantém-se como maior parceiro comercial da Rússia há 16 anos consecutivos. A coordenação estratégica também impulsionou intercâmbios culturais, fortalecendo ainda mais o entendimento mútuo e a amizade entre os dois povos. Os Anos de Educação China-Rússia, que se iniciam este ano, contarão com centenas de eventos de intercâmbio, dando continuidade ao sucesso dos anos temáticos anteriores dedicados à cultura, ao desporto e à inovação científico-tecnológica. As políticas de isenção de vistos mútuas facilitaram significativamente os intercâmbios entre os povos dos dois países. Segundo a Associação de Operadores Turísticos da Rússia, mais de 150 mil turistas chineses visitaram a Rússia no primeiro trimestre de 2026, um aumento anual de 44,4%, enquanto as viagens de russos à China subiram 33,6% em 2025. A China e a Rússia desempenham também um papel importante na amplificação da voz do Sul Global e na promoção de uma ordem internacional multipolar. O mundo assiste hoje a uma profunda transformação e a uma crescente turbulência, à medida que a ordem internacional do pós-guerra está sob pressão, as normas estabelecidas que regem as relações internacionais são cada vez mais desafiadas, os conflitos geopolíticos intensificam-se e o risco de um regresso à lei da selva aumenta, realça a Xinhua. Por isso, acentua, a coordenação estratégica com a Rússia é de grande importância para a manutenção da estabilidade estratégica global e para a defesa do multilateralismo e da ordem internacional. A China e a Rússia têm unido esforços globais para defender firmemente a equidade e a justiça, preservar os resultados vitoriosos da Segunda Guerra Mundial e salvaguardar o sistema internacional centrado na ONU e as normas básicas do direito internacional. Em resposta a um cenário internacional mais incerto e instável, Pequim e Moscovo devem reforçar a coordenação multilateral, defender e praticar o multilateralismo e trabalhar em conjunto para revitalizar a autoridade e a vitalidade das Nações Unidas. Devem também manter uma estreita coordenação e cooperação em estruturas como a Organização de Cooperação de Xangai e os BRICS, e promover o desenvolvimento da ordem internacional no sentido de uma direcção mais justa e equitativa. À medida que o mundo atravessa profundas transformações, a contínua resiliência das relações China-Rússia adquire um significado que transcende o âmbito bilateral. A cooperação entre eles demonstra que as relações entre as principais potências podem ir além do confronto entre blocos e da rivalidade de soma zero, contribuindo, em vez disso, para a multipolaridade, a democratização das relações internacionais e uma maior estabilidade e segurança num mundo em constante mudança”.

 

JTM com agência Xinhua