A China classificou como “absurda” a decisão do Supremo Tribunal do Panamá que anulou a concessão de dois portos próximos do Canal do Panamá a uma subsidiária do grupo CK Hutchison, sediado em Hong Kong, e avisou que as autoridades do país centro-americano “pagarão um preço elevado” se não a reverterem. “A decisão é juridicamente absurda, tem falhas de lógica e é extremamente ridícula”, defendeu o Gabinete de Assuntos de Hong Kong e Macau do Conselho de Estado, num comunicado publicado no WeChat. “As autoridades panamianas devem reconhecer a situação e corrigir o seu rumo. Se persistirem neste caminho e se mantiverem obstinadas, pagarão inevitavelmente um preço elevado em termos políticos e económicos!”, advertiu, acrescentando que “a China nunca sucumbiu à política de poder e hegemonia, e possui os meios, os métodos, a força e a capacidade para manter uma ordem económica e comercial internacional equitativa e justa”. Sem mencionar directamente os EUA, que celebraram a decisão e forçaram um acordo para a venda dos portos depois de criticarem a alegada influência da China sobre o Canal, o comunicado sublinha que “certos países” obrigam outros a “submeterem-se à sua vontade”. A decisão “é cúmplice do mal e é verdadeiramente vergonhosa e patética”, reflectindo “a total servidão e submissão das autoridades panamianas à hegemonia”, denuncia o Gabinete, acentuando que “a independência judicial do país tornou-se uma piada, perdendo toda a credibilidade”. A concessão “está em vigor há quase 30 anos, e os processos de renovação foram validados pelas autoridades e entidades reguladoras panamianas”, salienta Pequim, ao classificar a decisão como uma “grave violação do Estado de Direito e do espírito do contrato”. Destacando que, através da Panama Ports Company, a CK Hutchison “investiu mais de 1,8 mil milhões de dólares nas suas operações legítimas no Panamá, criando milhares de empregos”, o Gabinete frisa que, “em vez de valorizar esse investimento, o Panamá retirou brutal e impiedosamente os direitos de exploração da empresa”. “A insistência das autoridades panamianas” equivale “a dar um tiro no pé”, alerta. Entretanto, a PPC anunciou ontem o início de um processo de arbitragem contra o Panamá, considerando ser alvo de uma “campanha” do país “especificamente dirigida” contra si, exigindo, por isso, uma “indemnização integral”.
JTM com agências internacionais



