Os países são obrigados a colaborar entre si para combater o financiamento do terrorismo, disse à AFP a presidente do Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI), antes de uma reunião à margem do G7. Mais de 70 delegações, que incluíram ministros das Finanças, encarregados de serviços de inteligência financeira e chefes de instituições internacionais, reuniram-se em Paris para a 5ª conferência “No money for terror”. O GAFI, com sede em Paris, coordena a actuação dos países para prevenir e combater a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo, avaliando os sistemas nacionais e recomendado medidas de controle. Mas a cooperação internacional e as abordagens multilaterais estão fragilizadas neste momento pelo endurecimento das posturas de grandes potências, em especial de EUA, Rússia e China. “Os terroristas não respeitam nenhuma fronteira. Não têm nenhum limite. Portanto, os países não se podem dar o luxo de não trabalhar juntos. Devemos cooperar”, frisou a presidente do GAFI, a mexicana Elisa de Anda Madrazo. Antes da reunião sobre o combate ao financiamento do terrorismo, deu como exemplo a cooperação durante os Jogos Olímpicos de Paris-2024. “Vários atentados terroristas foram frustrados e paralisados graças à inteligência financeira. Portanto, sabemos que funciona e que pode dissuadir os ataques. Não podemos dar-nos o luxo de parar”, afirmou. Neste contexto, o Presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu a regulação das criptomoedas para não criar um faroeste. Se as criptomoedas estiverem “totalmente fora de regulação”, de facto “seremos cúmplices de actividades terroristas”, advertiu. No início da reunião, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, reiterou que Washington devia receber apoio na política de sanções contra o Irão e pediu aos seus “parceiros em todo o mundo” para responderem “com firmeza ao leque de terroristas (…) do Hezbollah ao Cartel de Sinaloa”. Segundo a Presidência francesa, esta conferência visa “continuar a trabalhar para sermos capazes de fazer frente às inovações, adaptar os métodos e as ferramentas, partilhar as boas práticas”. Os serviços de inteligência constataram uma fragmentação da ameaça terrorista, em particular jihadista, em um ambiente marcado pela fragilização das duas grandes organizações centrais, Al-Qaeda e Estado Islâmico, e pelo auge da ameaça doméstica, procedente de pessoas isoladas. Os circuitos de financiamento também evoluíram desde 2018, quando estas conferências começaram, lembra Madrazo. “Hoje, temos múltiplas células e uma descentralização maior. Mas as ferramentas também mudaram. Agora, contamos com os activos virtuais, a digitalização e uma economia cuja arquitectura é diferente. E a combinação dos mecanismos tradicionais e as novas tecnologias efetivamente constitui um desafio”, acrescenta.

 

JTM com agências internacionais