O Movimento pela Democracia (MpD, oposição) questionou, em comunicado, a opção de o recém-empossado Primeiro-Ministro, Francisco Carvalho, acumular a pasta das Finanças e criticou a reduzida presença de mulheres. “Não podemos deixar de manifestar a nossa reserva quanto ao figurino apresentado em que o Primeiro-Ministro assume, ao mesmo tempo, a pasta das Finanças”, que “além da grande complexidade técnica que encerra e intensidade de esforço permanente que exige, é motor do sistema”, referiu o partido.

O comunicado surge um dia depois de o Presidente da República, José Maria Neves, ter empossado o novo executivo do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), que venceu as eleições de 17 de Maio.

No comunicado, o MpD considera “fundamental assegurar um óptimo nível de desempenho técnico no Ministério das Finanças, gerador de confiança dos investidores e dos parceiros internacionais”. “Não nos parece que essa função seja compatível com a de coordenar e dirigir toda a actividade governativa. É, do nosso ponto de vista, uma proposta muito arriscada, com potenciais prejuízos graves para o país. A ver vamos”, concluiu.

No final da cerimónia de posse, na sexta-feira, em declarações aos jornalistas, Francisco Carvalho respondeu a uma pergunta sobre o assunto e justificou que acumula a pasta das Finanças visando “garantir que as grandes prioridades vão continuar a ser as grandes prioridades”. “Fazer com que, de facto, nos mantenhamos alinhados em relação àquilo que prometemos durante a campanha eleitoral, que resultou da avaliação que fizemos à sociedade cabo-verdiana”, referiu.

No capítulo da diversidade de género, o MpD referiu que “as mulheres, neste Governo, estão muito mal representadas do ponto de vista numérico”. O novo executivo tem duas ministras e uma secretária de Estado entre 18 membros (15 ministros, incluindo o Primeiro-Ministro, e três secretários de Estado). O Governo com que o MpD terminou a legislatura anterior tinha duas ministras e duas secretárias de Estado, entre 22 titulares (17 ministros, incluindo o Primeiro-Ministro, e cinco secretários de Estado).

 

Ex-PM deixa política activa

O ex-primeiro-ministro cabo-verdiano Ulisses Correia e Silva anunciou que vai deixar a política activa, depois de o novo Governo do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), liderado por Francisco Carvalho, ter sido empossado. “Agora é o momento de continuar a vida fora da política activa”, escreveu no Facebook, numa mensagem em que informou ter renunciado ao mandato de deputado. Ulisses Correia e Silva já tinha anunciado igualmente a demissão da presidência do Movimento pela Democracia (MpD) após a derrota nas legislativas de Maio. O PAICV assegurou uma maioria absoluta de 37 deputados entre os 72 lugares da Assembleia Nacional e o MpD regressou à oposição, com 33 eleitos, após dois mandatos (10 anos) na governação do arquipélago sob a liderança de Ulisses Correia e Silva. O MpD escolheu, no início do mês, Eurico Monteiro como presidente interino e agendou para 6 de Setembro a eleição de um novo líder. Na Assembleia Nacional, onde a nova composição tomou assento na quinta-feira, a bancada do MpD será liderada pelo deputado Luís Carlos Silva e integra, na qualidade de vice-presidentes, os deputados Damião Medina, Sandra Galina, Lídia Lima e Liver Gomes.

 

JTM com Lusa