A oposição húngara, liderada pelo conservador Péter Magyar, vai encerrar os 16 anos de governo do ultranacionalista Viktor Orbán após ter conquistado uma “super maioria” nas eleições legislativas, garantindo mais de dois terços dos lugares no Parlamento. O partido Tisza obteve 138 dos 199 assentos da Câmara, com a promessa eleitoral de inverter o “sistema mafioso” de Orbán, há anos em conflito com a União Europeia (UE) por não respeitar o conceito de Estado de direito. O partido no poder até agora, o Fidesz, co-fundado por Orbán em 1988, obteve apenas 54 lugares, enquanto a formação de extrema-direita Nuestra Patria conquistou sete. As eleições ficaram marcadas por uma participação historicamente elevada, com 79,5%, a taxa mais alta neste país ex-comunista desde a queda da Cortina de Ferro em 1989. Desde a vitória eleitoral em 2010, o Fidesz alterou sozinho a Constituição, reformou a lei eleitoral por diversas vezes e minou os direitos civis, a liberdade de imprensa e o sistema judicial. Para além de confrontar as instituições ao longo dos anos, Orbán posicionou-se como crítico acérrimo da Ucrânia e defensor dos interesses da Rússia, da qual a Hungria depende fortemente. Ao mesmo tempo, a corrupção cresceu para níveis nunca vistos na Hungria, com um enriquecimento extremo do círculo mais íntimo do Primeiro-Ministro, incluindo a sua própria família e amigos de infância. Entre os homens mais ricos do país após os 16 anos de Orbán no poder, estão o seu genro e, sobretudo, o amigo de infância Lörinc Mészáros, antigo canalizador de gás que possui agora uma fortuna estimada em 4,5 mil milhões de euros. Orbán reconheceu a derrota apenas duas horas e meia após o fecho das urnas e felicitou Magyar, antigo aliado. Orbán era uma referência para o populismo ultranacionalista europeu e internacional, incluindo o Presidente norte-americano, Donald Trump, que pediu abertamente votos a seu favor. Após o anúncio da sua vitória, Magyar lançou uma mensagem europeísta. “O lugar da nossa pátria esteve, está e estará na EU”, disse perante milhares de apoiantes, nas margens do rio Danúbio, em frente ao Parlamento. “Resolveremos todas as nossas disputas com os países vizinhos”, acrescentou, nomeando explicitamente a Ucrânia, com a qual Orbán se confrontou nos últimos meses devido à interrupção do trânsito de petróleo russo para a Hungria. O líder do Tisza, de 45 anos, anunciou ainda que as suas primeiras viagens ao estrangeiro serão a Bruxelas e à Polónia, cujo Primeiro-Ministro, Donald Tusk, foi um dos principais críticos de Orbán no seio da UE. As felicitações a Magyar chegaram de toda a Europa, tendo a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, escrito na rede X que “a Hungria votou pela Europa”.
JTM com agências internacionais



